A Justiça Eleitoral cassou o diploma do vereador eleito de Corumbá, Matheus Pereira Cazarin Silva, por compra de votos nas eleições de 2024. A decisão foi assinada pelo juiz eleitoral Idail de Toni Filho e publicada nesta quarta-feira (13) no Diário da Justiça Eleitoral. Além da cassação, o vereador foi multado em R$ 53,2 mil e os votos dele serão anulados, com nova recontagem da eleição proporcional em Corumbá.
Segundo a sentença, a investigação começou após uma denúncia anônima feita à Polícia Federal. A informação era de que dinheiro estaria sendo separado na casa da mãe do então candidato e distribuído pela irmã dele, Laura Cristinne, em um carro modelo Corsa branco.
Durante a investigação, policiais federais abordaram o veículo e encontraram dinheiro em espécie, recibos escritos à mão, listas com nomes de eleitores, títulos eleitorais, telefones e um celular.
A perícia identificou 172 recibos manuscritos, que somavam R$ 23,3 mil. A maioria dos pagamentos era de R$ 150. O juiz também apontou que parte desse dinheiro não apareceu na prestação de contas da campanha, que declarou apenas R$ 3 mil em despesas com pessoal.
Um dos pontos considerados mais importantes pela Justiça foram os áudios encontrados pela PF entre Matheus e a irmã. Em uma das mensagens, Laura fala sobre pagamentos feitos a eleitores. Em outro trecho, o então candidato pergunta: “Laura, você não passou 150 de Uri, né?”. Para o magistrado, as conversas mostram participação direta do vereador no esquema.
A defesa negou compra de votos e afirmou que os pagamentos eram por serviços prestados durante a campanha. Os advogados também alegaram que não tiveram acesso completo às conversas extraídas dos celulares apreendidos. O juiz rejeitou os argumentos e afirmou que a defesa teve oportunidade de acessar o material na Polícia Federal.
Na decisão, o magistrado afirmou que as provas mostram prática de compra de votos e abuso de poder econômico, destacando a ligação entre recibos, listas de eleitores, dinheiro apreendido, áudios e depoimentos dos policiais federais.
Com a cassação, os votos recebidos por Matheus Cazarin serão anulados e uma nova totalização será feita em Corumbá, o que pode mudar a composição da Câmara Municipal. O primeiro suplente, Pietro Costa Candia, participou do processo e pediu convocação imediata para assumir a vaga.
A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul. Até o momento, o vereador não se manifestou publicamente sobre o caso. O espaço segue aberto para esclarecimentos.