Quando “feminista” vira ofensa: professora denuncia exposição após atividade sobre relacionamentos abusivos

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Uma professora da rede pública de Campo Grande registrou boletim de ocorrência contra o vereador Rafael Tavares (PL) e um de seus assessores após ter seu nome divulgado nas redes sociais em meio a uma polêmica envolvendo uma atividade escolar sobre relacionamentos abusivos.

Segundo o relato encaminhado à polícia, a educadora planejava realizar uma roda de conversa extracurricular sobre violência e relacionamentos abusivos quando foi informada pela direção da escola de que o pai de um aluno havia procurado a unidade e acionado um assessor do parlamentar para acompanhar a atividade. Diante da situação, a direção e a professora decidiram suspender o evento para evitar conflitos.

Ainda assim, conforme registrado na ocorrência, o assessor compareceu ao local afirmando que faria uma “fiscalização” da atividade, mesmo após o cancelamento. Posteriormente, o vereador publicou vídeos nas redes sociais mencionando nominalmente a professora e atribuindo a ela rótulos como “esquerdista” e “feminista”.

A docente afirma que se sentiu intimidada pela exposição pública e pelo volume de ataques que passou a receber nas redes sociais após a publicação. Entre os comentários registrados, usuários acusavam a professora de promover “doutrinação” e defendiam a intervenção de agentes políticos em atividades pedagógicas.

O episódio também reacendeu uma discussão mais ampla sobre a forma como determinados termos são utilizados no debate público. Entre eles está a palavra “feminista”, frequentemente empregada em tom pejorativo por setores políticos e ideológicos, apesar de o feminismo ser reconhecido historicamente como um movimento social e político voltado à defesa da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Especialistas em educação e direitos humanos apontam que a associação automática do feminismo a algo negativo contribui para a desinformação e dificulta debates sobre temas como violência doméstica, assédio, desigualdade salarial e proteção das mulheres. Nesse contexto, a discussão sobre relacionamentos abusivos, tema da atividade que seria realizada na escola, integra pautas frequentemente abordadas por movimentos feministas e por políticas públicas de prevenção à violência.

Além do boletim de ocorrência, o caso foi registrado em ata escolar. Até o momento, a Secretaria de Estado de Educação não se manifestou sobre o episódio.

A reportagem mantém espaço aberto para o posicionamento do vereador Rafael Tavares e da Secretaria Estadual de Educação.

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