Recente bloqueio administrativo imposto pelo Senar à empresa Blackbird Soluções em Tecnologia Ltda. — vinculada ao vice-presidente da Fiems, Luiz Gonzaga Crosara Júnior — transformou as suspeitas de corrupção interna em uma crise de grandes proporções políticas no estado. A empresa foi barrada por não comprovar a execução dos serviços contratados. Com isso, o caso saltou dos bastidores corporativos diretamente para a pauta de fiscalização de Brasília.
A articulação de deputados federais e o avanço de inquéritos no Ministério Público do Estado (MPMS) colocam sob forte pressão a gestão do empresário Sérgio Longen, que preside a Fiems. O núcleo do questionamento político gira em torno da autonomia e da lisura no manejo de receitas bilionárias protegidas por lei.
Bancada do PT reage e aciona Confederação Nacional
A reação política mais contundente partiu da bancada federal do Partido dos Trabalhadores (PT). Os deputados federais Vander Loubet e Camila Jara encabeçam pedidos formais de auditoria junto à Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e avaliam acionar o Ministério Público Federal (MPF). [1, 2]
- R$ 60 milhões em xeque: Os parlamentares exigem transparência total sobre os repasses constitucionais destinados ao Sesi e Senai de MS, cuja previsão de arrecadação supera os R$ 60 milhões. [1]
- Suspeita de uso eleitoral: Camila Jara levantou questionamentos públicos sobre convênios firmados pela Fiems, alertando para o risco de o dinheiro do contribuinte ser redirecionado para inflar de forma indireta campanhas eleitorais locais. [1]
- Acordo de ex-secretário sob a lupa: O grupo político opositor também mira um repasse de R$ 7 milhões articulado pelo ex-secretário estadual Jaime Verruck antes de deixar o cargo governamental. A licitação desse convênio acabou sendo suspensa pela própria federação após acusações de direcionamento.
Monopólio interno e indícios de “empresas laranjas”
O debate na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Campo Grande ganhou tração após revelações de que a firma de tecnologia Blackbird foi aberta com capital social de apenas R$ 5 mil e, logo em seguida, herdou contratos milionários firmados anteriormente pela Acto — outra empresa controlada por Crosara Júnior.
De acordo com as investigações fiscais que alimentam as representações políticas, até 72,9% do faturamento bruto das empresas de dirigentes derivava estritamente de pagamentos efetuados pelo Sesi e Senai. Para os opositores, o dado configura indício claro de “captura de patrimônio público” para o enriquecimento de entes privados integrados à própria diretoria da Fiems.
O Palácio do Desenvolvimento, sede da federação na capital, mantém-se em relativo silêncio administrativo enquanto tenta reverter as decisões judiciais e os embargos técnicos. Contudo, com a entrada da bancada federal na fiscalização dos contratos, o caso atinge o status de escândalo institucional, ameaçando o histórico controle político exercido pelo grupo de Longen sobre a indústria de Mato Grosso do Sul.