A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) anunciou nesta segunda-feira (22), durante audiência pública realizada em Corumbá, que irá solicitar a suspensão do processo licitatório para a concessão da Hidrovia Paraguai-Paraná. Segundo a parlamentar, a medida busca ampliar o debate sobre o projeto, permitindo novos estudos técnicos e maior participação das comunidades diretamente afetadas.
O anúncio foi feito ao final do encontro, que reuniu representantes da sociedade civil, pesquisadores, lideranças comunitárias, povos indígenas, ribeirinhos, setor produtivo, representantes do turismo e órgãos públicos para discutir os possíveis impactos da concessão sobre o Rio Paraguai e o Pantanal.

De acordo com Soraya, a proposta exige um debate amplo antes de qualquer decisão.
“A população de Corumbá e de toda a região do Pantanal precisa ser ouvida. Estamos tratando de um projeto com profundas implicações econômicas, sociais e ambientais. Nosso compromisso é garantir transparência, acesso à informação e um debate amplo e democrático antes de qualquer decisão que possa impactar um dos ecossistemas mais importantes do planeta”, afirmou.
A audiência foi convocada após o aumento das preocupações envolvendo o projeto, especialmente depois de apontamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou fragilidades institucionais, lacunas no planejamento e desafios relacionados à governança e aos aspectos socioambientais da futura concessão.
O encontro contou com apoio do deputado estadual Pedro Kemp, da Environmental Justice Foundation (EJF) e do Instituto SOS Pantanal, entidades que também subscreveram o pedido de suspensão do processo licitatório.
Comunidades tradicionais manifestam preocupação
Durante a audiência, especialistas apresentaram análises técnicas sobre o empreendimento, enquanto moradores e representantes de comunidades tradicionais relataram receios quanto aos impactos da hidrovia sobre a biodiversidade, a pesca, o turismo e o modo de vida das populações que dependem do Rio Paraguai.
Entre os participantes estiveram representantes indígenas e ribeirinhos. A líder indígena Dalva Maria, da Aldeia Uberaba, afirmou que a implantação da hidrovia pode comprometer a sobrevivência das comunidades tradicionais.
“O Rio Paraguai é encantador, mas com essa hidrovia vai ser uma destruição total para o povo indígena. Nós sobrevivemos das águas, somos o povo das águas. Nossa vida vale mais do que qualquer recurso financeiro. Peço que as autoridades pensem mais e estudem mais sobre isso. Se isso acontecer, acaba com o povo indígena”, declarou.
Também participou do debate Dona Edil Corrêa, representante da comunidade ribeirinha de Antônio Maria Coelho, que manifestou preocupação com possíveis mudanças ambientais capazes de afetar diretamente a pesca, a navegação e a subsistência das famílias da região.
Próximos passos
Como encaminhamento da audiência, Soraya Thronicke informou que levará as contribuições apresentadas em Corumbá para reuniões em Brasília com representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e dos ministérios dos Transportes, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Regional.
Além disso, a senadora formalizará o pedido de suspensão da licitação da Hidrovia Paraguai-Paraná para garantir mais tempo destinado à análise técnica da proposta e à escuta das comunidades potencialmente impactadas.
“A discussão sobre o futuro do Rio Paraguai e do Pantanal não pode ocorrer sem a participação efetiva de quem vive na região. Precisamos garantir que qualquer decisão seja tomada com responsabilidade, segurança e transparência”, ressaltou.
Segundo a parlamentar, a iniciativa busca conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e participação popular, assegurando que as comunidades pantaneiras tenham voz nas decisões sobre um projeto considerado estratégico para a região.