Duas pesquisas eleitorais com mesmo número de entrevistas, mas custos bem diferentes, entram em cena em MS

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Enquanto estudo do Novo Ibrape custou R$ 29 mil, pesquisa encomendada pela Fiems ao Instituto Opinião foi registrada por R$ 76 mil; diferença chama atenção no cenário pré-eleitoral.

O cenário político de Mato Grosso do Sul ganhará novos elementos nesta semana com a divulgação de duas pesquisas eleitorais registradas para avaliar a corrida ao Governo do Estado e ao Senado. Apesar de terem ouvido o mesmo número de eleitores, os levantamentos apresentam uma diferença significativa nos custos contratados.

A primeira pesquisa será divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Novo Ibrape. Encomendado pelo Campo Grande News, o estudo entrevistou mil eleitores e teve custo declarado de R$ 29 mil.

Já a segunda pesquisa foi contratada pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) junto ao Instituto Opinião. O levantamento também ouviu mil pessoas em todo o Estado, mas foi registrado ao custo de R$ 76 mil, valor mais de duas vezes superior ao contratado pelo Novo Ibrape.

A diferença chama atenção nos bastidores políticos, principalmente porque ambos os estudos possuem o mesmo universo de entrevistados e objetivos semelhantes, voltados à avaliação da disputa pelo Governo do Estado e pelo Senado.

A Fiems tem tradição na contratação de pesquisas eleitorais, especialmente em períodos que antecedem eleições para o Executivo estadual. Em 2022, por exemplo, a entidade também contratou um levantamento durante a reta final da disputa pelo Governo, mas os números nunca chegaram a ser divulgados publicamente. Na época, questionada sobre a ausência da publicação, a federação informou que não havia assumido compromisso de divulgar os resultados.

O novo levantamento da entidade ocorre em meio a outro fato que desperta atenção no meio político. Pouco antes de deixar a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, o ex-secretário Jaime Verruck autorizou a destinação de aproximadamente R$ 7 milhões à Fiems por meio de convênios e programas voltados ao desenvolvimento econômico e industrial.

Embora não exista relação formal entre os recursos públicos destinados à entidade e a contratação da pesquisa eleitoral, a coincidência dos fatos inevitavelmente alimenta questionamentos e análises nos bastidores políticos sobre o papel das instituições e sua influência no debate público em um período pré-eleitoral.

Do ponto de vista técnico, especialistas costumam destacar que o custo de uma pesquisa pode variar conforme metodologia, abrangência geográfica, logística de campo, equipe contratada, tecnologia empregada e quantidade de cruzamentos estatísticos previstos no relatório final. Ainda assim, a diferença entre os valores registrados pelas duas pesquisas tende a gerar comparações.

Com a divulgação dos números ao longo da semana, a expectativa é que os levantamentos ofereçam um primeiro retrato das movimentações políticas em Mato Grosso do Sul, estado que já começa a assistir à intensificação das articulações visando as eleições de 2026.

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