Mesmo após a ampliação da vacinação contra a gripe para toda a população, Campo Grande ainda enfrenta baixa adesão à campanha em um momento de alerta para doenças respiratórias. A Capital já contabiliza 1.122 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 84 mortes em 2026, enquanto a cobertura vacinal contra a influenza permanece em apenas 41,75%, menos da metade da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mostram que, três semanas após a liberação da vacina para todos os públicos, foram aplicadas 194.478 doses. Apesar do avanço em relação ao início da campanha, os índices ainda preocupam as autoridades sanitárias diante da circulação intensa de vírus respiratórios neste período do ano.
Entre os agentes identificados, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) lidera os registros, com 156 casos confirmados. Na sequência aparecem a influenza A, com 92 casos, influenza B, com 53, metapneumovírus, com 39, e adenovírus, com 31 confirmações.
O cenário também chama atenção pelo elevado número de notificações de SRAG. A categoria de casos não especificados concentra 348 registros, seguida pelo rinovírus, responsável por 205 ocorrências. Outros 167 casos seguem em investigação laboratorial.
A preocupação aumenta porque idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades continuam sendo os mais vulneráveis às complicações provocadas pelos vírus respiratórios. Especialistas alertam que a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de reduzir internações, evitar agravamentos e salvar vidas.
Desde o início da campanha, em 26 de março, até a ampliação da imunização para toda a população, em 13 de maio, pouco mais de 107 mil doses haviam sido aplicadas. Entre os grupos prioritários, considerados os mais suscetíveis às formas graves da doença, a cobertura vacinal alcançava apenas 31,11%.
A Sesau reforça que a vacina continua disponível gratuitamente nas unidades de saúde e destaca que o imunizante permanecerá ofertado ao longo de todo o ano para os públicos que integram o Calendário Nacional de Vacinação.
Diante do aumento dos casos e do número de mortes já registradas, a orientação é que a população não adie a imunização. Autoridades de saúde alertam que a combinação entre baixa cobertura vacinal e alta circulação viral pode pressionar ainda mais os serviços de saúde nas próximas semanas.
“A vacinação é uma das principais ferramentas para prevenir casos graves, internações e mortes. Quanto maior a cobertura vacinal, maior a proteção coletiva da população”, reforçou a Sesau.
Com o avanço das doenças respiratórias e a chegada dos meses mais frios, o desafio agora é ampliar rapidamente a adesão à campanha para evitar que os números continuem crescendo.