Três policiais civis estão entre os alvos da segunda fase da Operação “Audácia”, deflagrada nesta quinta-feira (16) pela Polícia Federal, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, para desarticular um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul.
De acordo com apuração do Campo Grande News, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos agentes e também nas unidades onde atuam: a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira, em Dourados, a Delegacia de Polícia de Caarapó e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, em Campo Grande. Os nomes dos policiais não foram divulgados.
Além das buscas, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva contra o advogado Rubens Dariu Saldivar Cabral, um secretário dele — ainda não identificado — e Renan Oliveira Freitas, morador de Dourados.
Ao todo, a operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e três de prisão nas cidades de Dourados, Campo Grande, Caarapó e Fátima do Sul. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de R$ 18 milhões em bens dos investigados.
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início em novembro de 2023, após a prisão de Rubens Saldivar com R$ 100 mil em dinheiro, entre Ponta Porã e Dourados. A partir desse flagrante, os investigadores rastrearam a movimentação financeira do advogado e identificaram uma rede com indícios de incompatibilidade entre renda e patrimônio.
Na primeira fase da operação, realizada em julho de 2025, foram apreendidos celulares, computadores e documentos em endereços ligados aos investigados — incluindo um imóvel em condomínio de alto padrão na região norte de Dourados.
A análise do material recolhido e a quebra de sigilo de dispositivos eletrônicos revelaram novos indícios, que fundamentaram a deflagração da segunda fase da operação.
Rubens Saldivar já havia sido preso em janeiro de 2025, em Nova Alvorada do Sul, após tentar retirar um veículo Audi A3 que havia sido utilizado para transportar 21,6 quilos de pasta-base de cocaína.
O carro havia sido apreendido pela Polícia Rodoviária Federal após fuga do motorista na BR-163, mas não passou por vistoria detalhada inicialmente. Dias depois, ao ser encaminhado para nova análise, a droga foi localizada escondida na estrutura do veículo.
Na ocasião, além do advogado, também foram presos Lucinei Ribeiro de Oliveira e Marlon Barroso de Andrade Lopes. Em outubro de 2025, os três foram condenados por tráfico de drogas e associação criminosa, com penas que variam de sete a dez anos de prisão em regime fechado.
Outro preso na operação, Renan Oliveira Freitas, já havia sido alvo da Operação Akã, deflagrada em setembro de 2023. Ele é apontado como responsável por recrutar motoristas para transportar drogas escondidas em cargas lícitas da fronteira até estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Na mesma investigação, foi preso Izael de Souza Junior, considerado o líder da organização criminosa. Segundo a PF, os entorpecentes oriundos do Paraguai eram armazenados em Dourados antes de serem distribuídos, principalmente em caminhões de transporte de carne.
As investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes do esquema e aprofundar as conexões entre os envolvidos.