Pai ganha mais tempo com o bebê: licença-paternidade será ampliada no Brasil

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Foi sancionado nesta terça-feira (31) o projeto de lei que amplia a licença-paternidade no Brasil. A medida prevê aumento gradual do período de afastamento, que poderá chegar a até 20 dias nos próximos anos.

Atualmente, o prazo segue em cinco dias em 2026. A ampliação será implementada de forma progressiva, com prazo final estabelecido para 2029.

A lei deve ser publicada nesta quarta-feira (1º de abril) no Diário Oficial da União. As mudanças passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2027.

O cronograma de ampliação será o seguinte:

  • 10 dias em 2027
  • 15 dias em 2028
  • 20 dias a partir de 2029

Além disso, o período de licença poderá ser dividido em dois momentos, mediante solicitação do trabalhador.

A licença-paternidade é concedida ao empregado com remuneração integral, sem prejuízo do emprego. O benefício é válido nos seguintes casos:

  • nascimento de filho
  • adoção
  • guarda judicial para fins de adoção de criança ou adolescente

Em situações de morte da mãe, o pai passa a ter direito à licença-maternidade completa, de 120 dias.

Defesa da ampliação e impactos para o desenvolvimento infantil

Em 2023, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma carta aberta defendendo a ampliação da licença-paternidade para um período entre 30 e 60 dias.

A entidade apresentou evidências científicas que apontam benefícios da presença paterna nos primeiros dias de vida do bebê, como:

  • apoio ao aleitamento materno
  • fortalecimento do vínculo familiar
  • contribuição para o desenvolvimento neurocognitivo da criança

Estudos citados também indicam resultados positivos já com quatro semanas de licença.

O documento da SBP destaca que diversos países já adotam modelos de licença parental compartilhada, permitindo maior flexibilidade na divisão dos cuidados entre mães e pais.

Esse formato busca promover maior equilíbrio nas responsabilidades familiares e no mercado de trabalho.

A licença-paternidade é tema de debate no Brasil desde a Assembleia Constituinte de 1988. À época, a proposta enfrentou resistência no Congresso.

O então deputado e médico pediatra Alceni Guerra, autor da emenda, chegou a ser ridicularizado por parlamentares ao defender o direito. Ainda assim, conseguiu aprovar a inclusão do benefício na Constituição Federal com ampla maioria dos votos.

Com informações da Agência Brasil

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