A Operação Gutenberg, deflagrada na manhã desta terça-feira (7) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), resultou na prisão de 16 pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, praticar corrupção e lavar dinheiro com recursos públicos em Mato Grosso do Sul.
Entre os presos estão o ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos; a empresária Rossana Jafar; a filha dela, Olívia Paroschi Jafar; e o coordenador estadual de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlo Britto Burgatt.
Júnior Vasconcelos foi preso na Vila Margarida, em Campo Grande. Rossana Jafar foi localizada em um edifício na Avenida Ricardo Brandão, enquanto Olívia Paroschi Jafar foi detida em um condomínio no Bairro São Francisco. Já Ed Carlo Britto Burgatt foi preso durante o cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça.
Além das prisões preventivas, o Gaeco cumpriu 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além das cidades de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a organização criminosa era formada por empresários e servidores públicos que atuavam de forma coordenada para fraudar procedimentos de compras públicas, principalmente por meio de contratações diretas, sem licitação, para aquisição de livros paradidáticos.
Conforme as investigações, o grupo utilizava servidores públicos corrompidos para direcionar as contratações e garantir o pagamento dos contratos. Os recursos obtidos de forma ilícita ultrapassam R$ 27 milhões e, de acordo com o Gaeco, eram distribuídos entre integrantes da organização, agentes públicos e empresas utilizadas para ocultar a origem do dinheiro.
As investigações também apontam que servidores ligados à área da saúde pública condicionavam a liberação de exames especializados, cirurgias e até vagas em hospitais da rede estadual à compra dos livros comercializados pelas empresas investigadas.
De acordo com o Gaeco, o esquema criminoso permanecia em funcionamento e mantinha contratos ativos com diversos municípios de Mato Grosso do Sul.
O grupo responde por suspeitas de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e outros crimes contra a administração pública.
O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, inventor da prensa de tipos móveis. Segundo o Ministério Público, a escolha simboliza a utilização dos livros como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema investigado, em contraste com a finalidade histórica de disseminação do conhecimento.