CAMPO GRANDE (MS) – Em mais um capítulo de uma crise que se arrasta e se repete sistematicamente na Capital, a Prefeitura de Campo Grande, sob a gestão da prefeita Adriane Lopes, amargou um fracasso quase total em uma licitação crucial para a saúde pública. De 19 itens previstos em um pregão eletrônico para a compra de medicamentos destinados a atender ordens judiciais, a administração municipal conseguiu concluir a aquisição de apenas um único item. O resultado oficial deixa 18 produtos totalmente sem atendimento, lançando mais uma vez a população vulnerável ao desamparo.
Conforme o termo de adjudicação e homologação divulgado no Diogrande (Diário Oficial) desta terça-feira (3), o pregão eletrônico 143/2026 terminou com dez itens desertos (quando nenhuma empresa se interessa em vender para o município) e oito fracassados (quando há empresas interessadas, mas nenhuma cumpre as exigências ou aceita os valores do edital).
O único item que restou foi arrematado pela Onco Prod Distribuidora de Produtos Hospitalares, ao valor unitário de R$ 134,40. Todo o restante da lista foi cancelado por incapacidade administrativa de atrair e habilitar fornecedores.
Um reflexo crônico de descompromisso
O fiasco deste pregão não é um fato isolado, mas sim o retrato de uma prática que se repete exaustivamente na gestão de Adriane Lopes. Pacientes que recorrem à Justiça como último recurso para garantir o direito à vida e ao tratamento de doenças graves — muitas vezes raras ou oncológicas — são frequentemente submetidos à espera interminável devido a editais mal formulados, falta de credibilidade junto ao mercado fornecedor ou pura lentidão burocrática.
O documento oficializado pela prefeitura omite dados fundamentais: não informa quais medicamentos foram afetados, o tamanho do desfalque e o número de pacientes prejudicados. A gestão também não detalhou se possui algum estoque de contingência ou se adotará uma compra emergencial, deixando centenas de famílias no escuro e à mercê de uma administração que demonstra, repetidas vezes, falta de comprometimento real com as demandas mais urgentes do povo.
População paga o preço da inércia
Para quem depende do remédio na data certa, a burocracia ineficiente se traduz em dor e agravamento de quadros clínicos. O silêncio da prefeitura reforça o cenário de abandono. Procurada pela reportagem para esclarecer quais medidas serão tomadas para que as ordens judiciais não sejam descumpridas e os pacientes não fiquem sem tratamento, a equipe de Adriane Lopes não enviou nenhuma resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.
Enquanto a prefeitura falha em cumprir prazos e gerenciar certames básicos de logística hospitalar, o cidadão campo-grandense segue enfrentando as consequências de uma Saúde municipal que, em vez de solucionar problemas, coleciona licitações desertas, processos fracassados e respostas vazias.