CORUMBÁ (MS) – Em uma demonstração de protagonismo e compromisso com o futuro do município, a Câmara Municipal de Corumbá adotou uma postura firme e unificada em defesa da população e do desenvolvimento sustentável. Sob a liderança do presidente do Legislativo, Ubiratan Canhete de Campos Filho (Bira), os vereadores se mobilizaram de forma decisiva para cobrar responsabilidade social, econômica e ambiental da empresa LHG Mining, após uma série de incidentes graves que afetaram diretamente as comunidades locais.
A iniciativa dos parlamentares coloca o bem-estar dos corumbaenses no centro do debate e acende um alerta sobre os impactos da atividade mineral na região. Em uma articulação enérgica, a Casa de Leis abriu espaço na sessão da próxima segunda-feira, 9 de novembro, para que os diretores das mineradoras prestem esclarecimentos detalhados tanto aos parlamentares quanto à população.
Além disso, em uma medida de forte impacto político e institucional, o presidente Bira anunciou que o Legislativo está disposto a atuar junto às autoridades competentes para buscar a suspensão da licença de exploração mineral da LHG Mining, caso os problemas apontados não sejam urgentemente solucionados.
Fiscalização atenta e presença na comunidade
A reação da Câmara foi motivada por denúncias preocupantes. Relatos apontam que a água de uma nascente que forma o córrego Piraputanga ficou avermelhada e imprópria para o consumo dos moradores do distrito de Antônio Maria Coelho — alteração que o presidente Bira atribuiu diretamente às atividades mineradoras. Diante do problema, uma comitiva de vereadores foi pessoalmente até a região para verificar a situação de perto e dar voz aos anseios dos moradores afetados.
Outro episódio alarmante debatido no plenário foi o afundamento de uma barcaça carregada de minério no Rio Paraguai, na localidade de Porto Esperança, durante operação no Porto Gregório Curvo, gerando turfa e coloração avermelhada nas águas. O tráfego intenso de caminhões pesados de minério pela BR-262 também foi alvo de duras críticas dos parlamentares, que alertaram sobre a degradação do pavimento da rodovia e o aumento dos riscos de acidentes para quem trafega pela principal ligação de Corumbá com o restante do país.
Os vereadores relembraram que a própria LHG havia apresentado, em audiência pública, planos de investimento que mitigariam esses impactos, incluindo uma esteira aérea de 12 quilômetros para escoamento ferroviário — uma alternativa considerada mais barata e ecologicamente correta pelos parlamentares, como defendido também pelo vereador Chicão Vianna em favor do modal hidroviário.
Cobrança por retorno econômico e valorização local
A atuação dos parlamentares foi além da pauta ambiental, englobando a justiça econômica e social para Corumbá. Os vereadores demonstraram indignação com o fato de a extração mineral ter triplicado no município, enquanto os repasses da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) despencaram — caindo de R$ 46 milhões no biênio 2023/2024 para apenas R$ 28 milhões em 2025, segundo dados apresentados pelo vereador Marcelo Araújo.
O plenário ecoou uma cobrança unânime por emprego e valorização da mão de obra local. Vereadores como Roberto Façanha, Matheus Cazarin (que relembrou os padrões de segurança e qualidade do período de atuação da Vale) e Elinho Junior exigiram que a mineradora cumpra seus deveres com a sociedade. O vereador Alexandre defendeu que a empresa invista em cursos técnicos e profissionalizantes para qualificar os jovens corumbaenses e exigiu transparência imediata sobre as condições e a fiscalização das barragens na região de Maria Coelho.
Articulação política e defesa comunitária
Demonstrando visão estratégica, o vereador Hesley Santana propôs ampliar a rede de cobrança integrando forças com a Assembleia Legislativa. O parlamentar acionou o deputado estadual Paulo Duarte, que já levou os questionamentos ao parlamento estadual e acionou os Ministérios Públicos Estadual e Federal para garantir providências legais.
No âmbito social, a vereadora Hanna cobrou a restauração imediata de um canal direto de comunicação entre a mineradora e as comunidades afetadas — uma prática que existia anteriormente e que foi descontinuada pela atual gestão da LHG, dificultando o diálogo e o cumprimento de acordos com os moradores locais.
Com essa mobilização histórica, a Câmara Municipal de Corumbá reafirma seu papel essencial de fiscalização e proteção jurídica e social. Ao exigir que o desenvolvimento econômico caminhe lado a lado com o respeito à natureza e a valorização do povo corumbaense, o Legislativo mostra que não hesitará em usar todas as ferramentas legais para proteger o futuro do município.