A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Ifrit, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa transnacional de alta periculosidade que controlava o tráfico internacional de drogas e armas na fronteira de Mato Grosso do Sul. O grupo mantinha uma estrutura de guerra fortificada na linha divisória entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, equipada com veículos blindados, drones de monitoramento tático, fuzis de grosso calibre e sistemas avançados de comunicação.
A ação mobilizou um contingente de 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários para o cumprimento de 76 mandados de busca e apreensão e 26 mandados de prisão preventiva. As ordens judiciais foram expedidas para cumprimento em sete estados da federação: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. No Estado, a ofensiva mirou abrigos fortificados e propriedades utilizadas pelo bando para assegurar o controle de áreas estratégicas e intimidar facções rivais.
De acordo com as investigações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 500 milhões nos últimos dois anos. O esquema de lavagem de capitais operava por meio de empresas de fachada, operadores financeiros conhecidos como “laranjas” e simulação de negócios comerciais. Sob a liderança de um núcleo familiar estabelecido na região de fronteira desde 2018, o grupo mantinha alianças logísticas com grandes facções nacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os entorpecentes eram adquiridos na Bolívia, Peru e Paraguai, entravam em território nacional por Mato Grosso do Sul e tinham como destino final o mercado europeu, principalmente portos da Espanha e de Portugal.
O inquérito policial revelou ainda uma rede de corrupção institucionalizada para garantir a proteção e o livre trânsito das cargas ilícitas. Três policiais civis de Mato Grosso do Sul foram formalmente afastados de suas funções públicas por determinação judicial devido aos indícios de colaboração com a quadrilha. A PF e o Ministério Público também apuram a participação de policiais militares e de um integrante da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no esquema. Todo o material bélico, documentos e ativos financeiros apreendidos foram encaminhados às sedes da Polícia Federal para subsidiar a continuidade das investigações.