Guerra de facções na fronteira: emboscada com fuzis termina com execução de liderança do PCC sob custódia do Estado em Corumbá

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Um ataque com táticas de guerrilha e armamento de alto calibre chocou os moradores e motoristas que trafegavam pelo Distrito de Albuquerque, em Corumbá, na tarde de sábado (4). Homens armados com fuzis montaram uma emboscada na rodovia BR-262 contra um comboio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. O alvo da ação era o detento Rubens Zilio Neto, de 41 anos, conhecido no mundo do crime como “Apolo”, apontado como uma das lideranças locais do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi executado dentro de uma das viaturas.

O comboio, composto por quatro viaturas (sendo uma delas descaracterizada), havia partido de Corumbá com destino à capital, Campo Grande, onde o preso permaneceria custodiado. De acordo com informações policiais, os agentes foram forçados a realizar uma parada estratégica em um posto de combustíveis às margens da rodovia após o pneu de um dos veículos furar.

Aproveitando-se do momento de vulnerabilidade, criminosos ocultos em uma área de vegetação densa iniciaram uma sequência de disparos coordenados de grosso calibre. A ação foi cirúrgica: os tiros atingiram fatalmente Rubens Zilio Neto, que morreu antes da chegada do socorro médico. Nenhum dos policiais militares que faziam a escolta ficou ferido no atentado. Testemunhas que estavam no posto relataram cenas de pânico absoluto, comparando a intensidade das rajadas a um verdadeiro “cenário de guerra”.

Histórico de sangue e caçada na fronteira

A execução de “Apolo” é mais um capítulo sangrento de uma disputa territorial e de poder entre o PCC e o Comando Vermelho (CV) na faixa de fronteira com a Bolívia. O detento havia sido capturado dias antes pela Polícia Boliviana e entregue às autoridades brasileiras após participar, em Ladário, de uma tentativa de homicídio contra um rival e da subsequente perseguição que resultou na morte do soldado da PM Marcelo Pimenta da Silva, no dia 30 de junho. Rubens já estava com a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Imediatamente após o ataque de sábado, a Secretaria de Segurança Pública acionou um plano de contingência integrado. Equipes do Batalhão de Choque, do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciaram uma varredura rigorosa na mata e bloquearam os principais pontos de fuga na tentativa de capturar os atiradores.

Asfixia ao braço logístico

Em resposta imediata à audácia das facções, a polícia deflagrou desdobramentos da Operação Jovem Guerreiro no perímetro urbano de Corumbá. Agentes estouraram uma residência na Rua Joaquim Murtinho que servia como base logística para o crime organizado.

No local, foi presa em flagrante Kalissa das Neves Guadalupe, de 33 anos. Ela exercia a função de “guarda-roupas” da célula criminosa, sendo responsável pelo armazenamento de um arsenal de guerra que incluía fuzis, pistolas, munições de grosso calibre, além de coletes balísticos, radiocomunicadores e fardamentos policiais falsificados. Kalissa passou por audiência de custódia e teve sua prisão convertida em preventiva, sendo transferida para o estabelecimento penal feminino da região.

As investigações prosseguem sob forte sigilo para identificar os financiadores da emboscada e localizar o terceiro envolvido no assassinato do soldado Pimenta, que continua foragido. O policiamento e a inteligência nas cidades gêmeas da fronteira permanecem em alerta máximo.

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