Em entrevista exclusiva ao Estado Diário, o ex-secretário de Estado Jaime Verruck afirmou que Corumbá reúne condições estratégicas para impulsionar o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul, mas depende de investimentos estruturantes e de articulação junto ao Governo Federal para transformar esse potencial em resultados concretos.
Verruck destacou sua experiência de mais de 11 anos à frente da Secretaria de Estado, período em que acumulou áreas como Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Pecuária, Agricultura Familiar, Ciência, Tecnologia, Inovação e, mais recentemente, Trabalho. Segundo ele, a atuação integrada permitiu acompanhar de perto os principais desafios e oportunidades de desenvolvimento do Estado.
Ao abordar a realidade de Corumbá, o ex-secretário afirmou que a região convive há décadas com a expectativa de crescimento impulsionado pelo gás natural, promessa que, segundo ele, ainda não se concretizou plenamente. Apesar do aumento da arrecadação, Perrouc avalia que o impacto na geração de empregos ficou abaixo do esperado.
Ele também comentou o projeto de implantação de uma usina termelétrica na região, ressaltando que sua viabilidade depende da ampliação da oferta de gás natural. Atualmente, explicou, o gasoduto que passa por Corumbá opera muito abaixo de sua capacidade devido à redução do fornecimento boliviano.
“O gasoduto comporta cerca de 30 milhões de metros cúbicos, mas hoje recebe aproximadamente um terço desse volume. Sem novos investimentos na Bolívia e na ampliação da oferta de gás, a implantação da termelétrica fica comprometida”, afirmou.
Verruck lembrou que parte do gás argentino já utiliza a mesma estrutura, o que amplia as perspectivas de abastecimento e desenvolvimento para a região.
Outro ponto destacado foi a expansão da mineração após a venda das operações da Vale para a LHG Mining. Segundo ele, a empresa triplicou a produção mineral em Corumbá e mais que dobrou o número de empregos diretos, passando de cerca de mil para aproximadamente 2.250 trabalhadores.
O aumento da atividade, entretanto, elevou significativamente o fluxo de caminhões na BR-262. De acordo com Verruck, atualmente cerca de 1.200 veículos pesados circulam diariamente pela rodovia, situação que pressiona a infraestrutura e aumenta os riscos de acidentes.
Como solução, ele defende a construção do Porto da Esperança e a reativação da ferrovia entre Corumbá e o terminal portuário, reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
“A ferrovia é essencial não apenas para o minério, mas para toda a logística da região. Ela reduz custos, diminui acidentes e fortalece o desenvolvimento econômico”, afirmou.
Outro projeto considerado estratégico é a concessão da Hidrovia do Paraguai, entre Corumbá e Porto Murtinho. Segundo Verruck, o processo depende da conclusão de estudos ambientais e da realização de um leilão federal.
Ele afirmou que a proposta prevê intervenções pontuais para restabelecer o calado da hidrovia, permitindo maior eficiência na navegação sem comprometer a preservação ambiental.
“O Pantanal é o maior patrimônio que temos e precisa ser preservado. O objetivo é compatibilizar desenvolvimento econômico e proteção ambiental”, destacou.
Na avaliação do ex-secretário, além da logística e da mineração, o turismo representa uma das principais oportunidades de crescimento para Corumbá. Ele defende investimentos em infraestrutura turística e na ampliação da malha aérea, afirmando que a cidade pode ampliar significativamente o número de visitantes.
“Se conseguirmos atrair parte dos turistas que hoje visitam Bonito para conhecer também o Pantanal em Corumbá, estaremos falando de centenas de milhares de visitantes a mais todos os anos”, afirmou.
Verruck também defendeu políticas de incentivo aos pequenos empreendedores. Segundo ele, aproximadamente 92% das empresas de Mato Grosso do Sul são de pequeno porte e necessitam de menos burocracia e redução da carga tributária para crescer.
“O empreendedor já demonstra coragem ao abrir seu negócio. Cabe ao Estado criar um ambiente favorável para que ele possa investir, gerar empregos e ampliar sua atividade”, disse.
Sobre a proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1, Verruck afirmou ser favorável à redução gradual da jornada, mas considera que o Brasil ainda não reúne condições para uma implementação imediata.
Na avaliação dele, a mudança deve ocorrer por meio de um cronograma progressivo, iniciando pelos setores e empresas com maior capacidade de adaptação, evitando impactos negativos sobre o emprego e os custos de produção.
Ao voltar a falar sobre Corumbá, Verruck ressaltou que grande parte das soluções para a região depende de decisões federais envolvendo infraestrutura, logística, transporte ferroviário, hidroviário e política energética.
“Corumbá possui hidrovia, ferrovia, rodovia, gás e enorme potencial turístico. O desafio é transformar essas oportunidades em realidade por meio de articulação política e decisões em Brasília”, concluiu.