Vídeo revela bastidores de acordos políticos entre deputado e empresário preso pelo Gaeco em Campo Grande

0

Um vídeo dos bastidores da campanha de 2022 em Campo Grande mostra o deputado Lídio Lopes em reunião com Paulo Rogério de Melo, empresário preso na Operação Gutenberg por suspeita de corrupção. A gravação revela negociações sobre cargos na prefeitura e facilitação de alvarás, conectando o grupo investigado ao alto escalão municipal.

A investigação do Gaeco aponta que a rede criminosa desviou R$ 27 milhões em fraudes na saúde e educação, resultando na prisão de Melo e seu filho. As autoridades buscam agora confirmar se os cargos discutidos na reunião facilitaram o esquema de corrupção.

O diálogo, interceptado em um comitê partidário, revela uma cobrança explícita de compromissos espúrios envolvendo a máquina pública de Campo Grande. No vídeo, o empresário cobra do parlamentar o cumprimento de acordos que passavam diretamente pelo loteamento de cargos estratégicos na prefeitura e pela facilitação de documentos oficiais.

Entre as funções negociadas na mesa, os participantes citam setores sensíveis da administração municipal, como a segurança pessoal da prefeita, a gestão da frota de veículos e órgãos responsáveis pela liberação de alvarás. A engrenagem do suposto esquema fica evidente na fala de um dos presentes:

“Por que nós estamos aqui? Porque o Paulo está com o alvará pendente, o Major está sem salário, eu estou fora do cargo e o Anel está esperando receber”, dispara uma das vozes gravadas.

A investigação aponta que a discussão também envolveu cifras milionárias e repasses financeiros, cujos detalhes e notas promissórias ainda estão sob sigilo e análise da perícia técnica.

Paulo Rogério de Melo, conhecido na capital como proprietário da tradicional casa de eventos Lord Pub e sócio-administrador da Atalaia Eventos e Produções Ltda., foi preso preventivamente pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na última terça-feira (7). O filho dele, Douglas Melo, também foi capturado na mesma ação, que mobilizou dezenas de agentes para cumprir 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão.

De acordo com o MPMS, a rede criminosa liderada por empresários e servidores públicos fraudava licitações e contratos diretos nas secretarias de Saúde e Educação, desviando verbas destinadas a serviços essenciais. O rombo estimado nos cofres públicos já atinge a marca de R$ 27 milhões.

Rastro de Dinheiro e Armas

A Operação Gutenberg também expôs o poder bélico e financeiro dos investigados. Durante buscas em uma loja de móveis de propriedade do grupo, localizada na Rua 13 de Maio, os policiais apreenderam um revólver, munições de diversos calibres e R$ 76 mil em dinheiro vivo, que estavam guardados sem comprovação de origem lícita.

As investigações agora avançam para mapear se os cargos citados na reunião de 2022 foram efetivamente concedidos e se serviram como base para facilitar as fraudes contratuais que sangraram os cofres da Saúde e da Educação nos anos seguintes.

.