O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) classificou como “ousada” a quadrilha investigada pela morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, assassinado no fim de junho em Corumbá, município localizado a 426 quilômetros de Campo Grande.
Durante coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado (11), o comandante da unidade, tenente-coronel Rocha, afirmou que um dos integrantes do grupo chegou a exibir armas de grosso calibre e grandes quantias em dinheiro nas redes sociais, além de fazer ameaças contra policiais.
A declaração foi feita um dia após a morte de Waldiney Junior de Souza Alfonso, de 29 anos, terceiro suspeito apontado como executor direto do crime. Segundo o comandante, Waldiney era foragido do sistema prisional, atuava no tráfico de drogas e era considerado de alta periculosidade.
“Era uma quadrilha diferenciada, ousada”, afirmou o oficial.
Apesar do perfil dos investigados, Rocha ressaltou que, até o momento, as investigações ainda não confirmaram oficialmente o vínculo do grupo com alguma facção criminosa.
Operação continua
Segundo o comandante, embora os três suspeitos apontados como autores diretos da execução do policial já tenham sido localizados, a Operação Jovem Guerreiro continua em andamento.
A prioridade agora é identificar e prender pessoas que, de alguma forma, deram suporte à ação criminosa, seja na logística, fuga ou ocultação dos envolvidos.
“A missão não terminou. Ainda há pessoas que participaram indiretamente e que precisam ser responsabilizadas”, destacou.
“O policial sofre, mas cumpre a missão”
Durante a coletiva, Rocha também comentou o impacto da morte do soldado Marcelo Pimenta entre os integrantes da corporação e agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas da população.
Segundo ele, apesar da dor pela perda de um companheiro de farda, os policiais mantêm o profissionalismo durante as operações.
“O policial sente a perda na despedida. Depois veste o colete e vai cumprir a missão”, declarou.
Abordagem seguiu protocolos
O comandante também rebateu questionamentos sobre a operação que terminou com a morte de Waldiney Junior.
De acordo com Rocha, não houve qualquer irregularidade na ação policial. Ele afirmou que o suspeito reagiu à abordagem atirando contra as equipes do Bope e foi baleado durante o confronto.
Ainda segundo o comandante, os próprios policiais prestaram os primeiros socorros e encaminharam o homem para atendimento médico, mas ele não resistiu aos ferimentos.
Relembre o caso
O soldado Marcelo Pimenta da Silva foi morto no dia 30 de junho, durante uma perseguição policial iniciada após um ataque a tiros contra uma residência em Ladário.
As investigações apontam que o atentado estava relacionado à disputa entre grupos criminosos que atuam na região de fronteira. A resposta das forças de segurança deu origem à Operação Jovem Guerreiro, que reúne efetivos estaduais, federais e cooperação com autoridades bolivianas para combater o crime organizado em Corumbá e Ladário.
Desde o início da ofensiva, dezenas de prisões foram realizadas, armas e drogas foram apreendidas e os três suspeitos apontados como executores da morte do policial morreram em ações distintas ao longo das investigações. A Polícia Militar afirma que a operação seguirá por tempo indeterminado para identificar outros envolvidos e enfraquecer a atuação das organizações criminosas na fronteira.