Os investigados presos pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), continuam detidos. A decisão foi confirmada após a realização das audiências de custódia na manhã desta quarta-feira (8), em Campo Grande. Como as ordens judiciais expedidas na terça-feira (7) consistem em prisões preventivas — que não possuem um prazo automático para expirar —, a Justiça optou por manter o grupo atrás das grades para garantir a ordem pública e a instrução do processo.
A Operação Gutenberg investiga uma organização criminosa que fraudava procedimentos de compras públicas para a aquisição de livros didáticos. De acordo com os promotores do Gaeco, o material de leitura funcionava como um “pano de fundo” para camuflar o desvio de mais de R$ 27 milhões dos cofres públicos.
O “Balcão de Negócios” na Saúde Pública
O braço mais alarmante do esquema ocorria dentro do sistema de saúde do Estado. Segundo a denúncia do MPMS, servidores públicos corrompidos atuavam no gerenciamento de vagas e exames. Eles condicionavam a liberação de:
- Vagas em leitos hospitalares
- Agendamento de cirurgias eletivas
- Realização de exames médicos pela rede estadual
A liberação desses procedimentos aos pacientes era vinculada à compra dos livros oferecidos pelo grupo criminoso. O dinheiro obtido era pulverizado em uma rede de pessoas físicas e jurídicas para ocultar sua origem ilícita (lavagem de dinheiro).
Principais Alvos Investigados
A ofensiva de ontem cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. Entre os nomes de maior relevância detidos estão: [1, 2]
- Ed Carlos Burgatti: Servidor da área de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES), apontado como peça central do esquema em Campo Grande.
- Júnior Vasconcelos: Ex-prefeito de Fátima do Sul, escrivão da Polícia Civil e atual assessor na Assembleia Legislativa (Alems).
- Rossana Paroschi Jafar: Sócia-administradora de uma gráfica local.
- Olívia Paroschi Jafar: Médica, empresária e filha de Rossana.
- Gabriel Taquino de Paula: Advogado especialista em direito público.
Desdobramentos e Reações
Em resposta rápida ao escândalo, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul informou que colaborou ativamente com o Gaeco e já determinou a exoneração imediata de todos os servidores estaduais envolvidos.
O deputado Jamilson Name, a quem Júnior Vasconcelos prestava serviços administrativos em gabinete, publicou nota oficial esclarecendo que não possui nenhuma ligação com os fatos apurados e pontuou que o assessor é servidor cedido à Casa de Leis. Até o momento, a defesa dos detidos não emitiu pronunciamentos oficiais, mas algumas representações de advogados já começaram a protocolar pedidos de conversão para prisão domiciliar baseados em justificativas de saúde e cuidados familiares. Os réus respondem pelos crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.