O ex-gerente da agência do Banco do Brasil de Guia Lopes da Laguna, Delfino Martins da Silva, vai responder a uma ação penal acusado de participar de um esquema que teria desviado pelo menos R$ 2,3 milhões da instituição financeira por meio de financiamentos rurais fraudulentos.
De acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF), entre 2014 e 2016 o ex-bancário teria utilizado dados de correntistas sem autorização para contratar 26 operações de crédito em nome das vítimas. Os recursos eram transferidos para contas de terceiros e para uma empresa identificada como RD Serviços.
As investigações apontam que Delfino aproveitava o acesso aos sistemas internos do banco para registrar os financiamentos sem o conhecimento dos clientes. Diversos correntistas ouvidos durante o inquérito afirmaram nunca ter solicitado os empréstimos nem assinado qualquer documento relacionado às operações.
Segundo o MPF, os valores eram distribuídos entre contas de pessoas utilizadas como “laranjas” antes de serem direcionados à empresa, numa tentativa de ocultar a origem dos recursos.
O ex-gerente foi denunciado pelos crimes de desvio de valores por funcionário de instituição financeira, obtenção de financiamento mediante fraude e lavagem de dinheiro.
A defesa pediu a rejeição da denúncia ou a absolvição sumária do acusado, alegando falta de provas e ausência de enriquecimento ilícito. Os advogados também solicitaram uma nova perícia para rastrear a movimentação financeira dos valores investigados.
No entanto, o juiz federal Felipe Alves Tavares negou os pedidos e manteve o andamento da ação penal. Na decisão, o magistrado destacou que a denúncia está amparada por registros internos do Banco do Brasil, laudos periciais e depoimentos de correntistas que negaram ter contratado os financiamentos.
O juiz também entendeu que não há necessidade de nova perícia neste momento, ressaltando que os argumentos da defesa poderão ser discutidos durante a instrução processual.
As audiências de instrução e julgamento foram marcadas para os dias 28 e 29 de outubro de 2026. As oitivas das testemunhas e o interrogatório do réu serão realizados por videoconferência.