Em um desdobramento que destaca a precisão e a importância do trabalho de inteligência e perícia técnica, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) concluiu o inquérito sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. Inicialmente tratada sob a suspeita de suicídio, a linha de investigação foi completamente revertida pela Polícia Civil, que comprovou tratar-se de um crime de feminicídio praticado no contexto de violência doméstica e familiar.
Com base nas provas robustas reunidas pela equipe investigativa, a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande decretou a prisão preventiva do marido da vítima, o médico cardiologista e cirurgião vascular João Jazbik Neto, de 78 anos.
A importância da investigação técnica
O desfecho do caso reforça o papel crucial da polícia judiciária e da perícia técnica na elucidação de crimes de gênero complexos. No dia do fato, ocorrido em maio de 2026 em uma chácara na Capital, o suspeito acionou as autoridades afirmando que a esposa havia se trancado no quarto e cometido suicídio com um disparo de arma de fogo.
Contudo, a persistência e o rigor técnico das agentes da DEAM e dos peritos criminais desmilitarizaram a versão do médico. O laudo necroscópico emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol-MS) foi a peça-chave: o exame médico-legal comprovou que o tiro que matou a fisioterapeuta não foi desferido à curta distância ou com a arma encostada, tornando impossível a hipótese de autoextermínio.
Além disso, o trabalho minucioso de análise corporal localizou diversos hematomas recentes pelo corpo de Fabíola, evidenciando que ela havia sido agredida fisicamente antes de morrer.
Fraude processual e prisões
A investigação da Polícia Civil também descobriu uma tentativa de acobertamento do crime. Conforme os autos, armas de fogo foram removidas do local antes da chegada das equipes policiais para adulterar a cena do crime. Por conta dessa interferência, além do médico, um caseiro e um ex-funcionário foram autuados por fraude processual.
João Jazbik Neto já havia sido preso em flagrante no dia do crime por posse ilegal de armas de fogo sem registro encontradas na propriedade, mas respondia a esse processo em liberdade. Agora, diante da conclusão do inquérito de feminicídio e do clamor por justiça, ele retorna à prisão de forma preventiva para a garantia da ordem pública.
A defesa do médico classificou a prisão como “descabida” por ter ocorrido antes do oferecimento formal da denúncia pelo Ministério Público, e informou que recorrerá da decisão. O caso agora segue para o Poder Judiciário, fundamentado pelo detalhado relatório produzido pela DEAM.