A fervura subiu no ninho tucano de Mato Grosso do Sul. Em um movimento de clara autodefesa eleitoral, os vereadores Silvio Pitú, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha bateram o pé e deram um ultimato à cúpula do PSDB. O alvo da rebelião é a permanência do deputado estadual Pedro Caravina na sigla. Nos bastidores, o cálculo é puramente matemático e de sobrevivência: os parlamentares temem que o peso eleitoral de Caravina atropele as chances de quem busca ascender à Assembleia Legislativa (Alems).
O plano estratégico do partido para a próxima legislatura foca na reeleição de Jamilson Name e Lia Nogueira, apostando em Name como o grande puxador de votos da chapa. Com a chegada de Paulo Duarte, vindo do PSB para tentar a reeleição, restaria apenas uma vaga viável no quarteto planejado pelo PSDB. É justamente neste funil que os vereadores se veem ameaçados pela força de Caravina. A pressão surtiu efeito no desenho das bancadas: enquanto Mara Caseiro, Zé Teixeira e Paulo Corrêa caminham para o PL, Caravina deve seguir para o PP, selando o destino de um PSDB que tenta se equilibrar para não perder ainda mais espaço.
Apesar do clima de “lista de extinção” que rondava a legenda, o PSDB ganhou uma sobrevida inesperada nos últimos dias. O anúncio da permanência dos deputados federais Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, somado à decisão de Jamilson Name e Lia Nogueira de seguirem no ninho, interrompeu a previsão de uma debandada geral durante a janela partidária. Na Câmara Federal, a meta é garantir as cadeiras de Dagoberto e Geraldo, mesmo com a saída de Beto Pereira para o Republicanos.
O cenário atual é de reconstrução forçada para uma sigla que, até 2024, dominava o mapa político de Mato Grosso do Sul. Após perder o governador Eduardo Riedel para o PP, o ex-governador Reinaldo Azambuja para o PL e a maioria de seus 44 prefeitos, o PSDB agora joga todas as suas fichas na montagem de chapas que garantam o mínimo de relevância parlamentar. Como definiu Dagoberto Nogueira, o rumo das negociações mudou, mas o desafio de manter a relevância de um partido que já foi gigante no Estado continua sendo uma prova de fogo para seus atuais caciques.