O que, afinal, funciona na Prefeitura de Campo Grande?

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Essa é uma pergunta que a população faz todos os dias e que o Estado Diário também passa a fazer diante da avalanche de denúncias que chegam à redação. Saúde, infraestrutura, transporte, limpeza urbana, assistência social e, agora, até mesmo o atendimento aos animais. Parece que nenhuma área da administração municipal escapa das reclamações.

Na saúde pública, pacientes enfrentam filas intermináveis, falta de médicos, escassez de medicamentos básicos, como dipirona, e denúncias de atendimento precário que, segundo familiares, já contribuíram para a perda de vidas. Um cenário que revolta qualquer cidadão.

Como se isso não bastasse, agora chega uma denúncia igualmente estarrecedora: o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está há mais de 90 dias sem a medicação utilizada para realizar eutanásia em animais em estado terminal.

A consequência é cruel. Tutores que já enfrentam o sofrimento de ver um animal agonizando recebem a resposta de que devem procurar uma clínica veterinária particular. Quem tem condições financeiras consegue resolver o problema. Quem não tem, assiste ao sofrimento do animal sem poder fazer absolutamente nada.

Foi exatamente essa situação vivida por um morador de Campo Grande. Sua cadela, com suspeita de leishmaniose, permanece debilitada, sem conseguir se alimentar e sofrendo intensamente. Ao buscar ajuda no CCZ, ouviu que a unidade não realiza o procedimento porque está sem o medicamento necessário.

A servidora foi transparente ao explicar que, diante da falta do insumo, não seria humanitário recolher o animal sem condições de oferecer o atendimento adequado. Também informou que o CCZ mantém apenas uma reserva técnica destinada a animais de rua sem tutor e casos considerados de extrema urgência.

O drama, porém, permanece para centenas de famílias que dependem exclusivamente do serviço público.

É inadmissível que uma capital do porte de Campo Grande permaneça por mais de três meses sem um medicamento essencial para um serviço de saúde pública veterinária. A eutanásia, quando indicada por critérios técnicos e éticos, é um procedimento humanitário justamente para evitar sofrimento prolongado e irreversível.

O mais revoltante é que, enquanto faltam medicamentos, sobram justificativas.

A Prefeitura de Campo Grande ainda não apresentou qualquer explicação oficial para o desabastecimento. Mais uma vez, o silêncio da administração municipal amplia a sensação de abandono vivida pela população.

A impressão que fica é de que os problemas se acumulam em todas as áreas. Quando não falta remédio para pessoas, falta para animais. Quando não faltam profissionais, faltam equipamentos. Quando não faltam recursos, falta gestão.

Diante desse cenário, a pergunta é inevitável:

O que realmente funciona na Prefeitura de Campo Grande?

Para muitos contribuintes, apenas um setor parece operar com eficiência absoluta: a arrecadação de tributos. IPTU, ISS, taxas e demais impostos continuam chegando rigorosamente em dia às casas dos cidadãos.

Já os serviços públicos, aqueles que justificam a cobrança desses tributos, parecem caminhar em direção oposta.

O Estado Diário procurou a Prefeitura de Campo Grande para esclarecer o desabastecimento da medicação utilizada pelo CCZ, mas, até o fechamento desta publicação, não havia recebido manifestação oficial.

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