Dinheiro público de editora investigada pelo Gaeco escoou para garagens de carros e comércios de fachada

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CAMPO GRANDE (MS) – Investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, revelaram novos desdobramentos sobre o destino dos recursos desviados no esquema de compra de livros paradidáticos. A quebra do sigilo bancário dos envolvidos apontou que parte do dinheiro escoado dos cofres públicos foi repassada para garagens de veículos e lojas de conveniência em Campo Grande.

De acordo com o Gaeco, os estabelecimentos comerciais são suspeitos de atuar como empresas fantasmas para dissimular a origem ilícita dos valores. O epicentro das movimentações financeiras era a Editora Avante, contratada por diversas prefeituras do interior do estado mediante fraudes e dispensa indevida de licitações.

O Ministério Público detalha que o fluxo financeiro seguia uma dinâmica rápida de pulverização para ocultar o patrimônio:

  • Recebimento público: Prefeituras realizavam os pagamentos diretamente na conta bancária da Editora Avante.
  • Repasses imediatos: Assim que o recurso entrava na conta, começavam as transferências eletrônicas para empresas e pessoas ligadas ao grupo.
  • Empresas de fachada: Valores significativos foram destinados a comércios sem justificativa operacional clara, como garagens de carros e conveniências.
  • Saques em espécie: A apuração também identificou retiradas massivas de dinheiro vivo para dificultar o rastreamento bancário institucional e pagar propinas.

Entre os beneficiários dos repasses diretos da editora estão um pai e um filho presos preventivamente durante a operação. Juntos, eles receberam mais de 600 mil reais da empresa de livros, mesmo sem possuir nenhum tipo de vínculo formal ou prestação de serviço registrada com a editora.

O tamanho do esquema de corrupção

A Operação Gutenberg estima que o volume total movimentado pela organização criminosa ultrapassa a marca de 27 milhões de reais. O grupo contava com a cooperação de servidores públicos corrompidos que facilitavam o direcionamento dos contratos.

A investigação aponta ainda que, em alguns cenários da administração estadual, a liberação de procedimentos, exames e vagas na rede pública de saúde era utilizada como moeda de troca para forçar prefeitos a adquirirem os materiais didáticos oferecidos pela editora.

Até o momento, o Poder Judiciário decretou 16 mandados de prisão preventiva e dezenas de ordens de busca e apreensão. Os alvos incluem empresários, advogados, servidores e ex-gestores públicos. O procedimento segue em fase de instrução e análise do material apreendido, e as defesas dos citados no relatório inicial da investigação ainda não se manifestaram publicamente sobre o teor das suspeitas bancárias.

A lista de municípios e prefeituras contratantes

As investigações do Gaeco rastrearam compras feitas por inexigibilidade de licitação entre os anos de 2022 e 2026. As prefeituras identificadas nos relatórios que fecharam parcerias com a Editora Avante incluem:

  • Miranda: Contrato pioneiro de 1 milhão de reais que serviu como o estopim de toda a investigação policial.
  • Ivinhema: Contratos identificados na ordem de 874 mil reais.
  • Bonito: Movimentações suspeitas somando 818 mil reais.
  • Caarapó: Aquisições que alcançaram a marca de 589 mil reais.
  • Ladário: Contratos que somam quase 600 mil reais, utilizando inclusive recursos do Fundo Municipal de Saúde.
  • Campo Grande: Contrato firmado em 2023 voltado para kits paradidáticos no valor de 3,2 milhão de reais.
  • Deodápolis: Dois contratos sob análise, um de 161 mil reais e outro de 313 mil reais.
  • Fátima do Sul: Compras registradas no valor de 244 mil reais.
  • Anaurilândia: Contratos que somaram 232 mil reais.
  • Japorã: Registros de compras de materiais de 226 mil reais.
  • Novo Horizonte do Sul: Aquisição de kits e coleções temáticas no valor de 256,2 mil reais.
  • Dourados, São Gabriel do Oeste, Sonora, Angélica e Douradina: Cidades que também aparecem listadas no escopo das apurações do Gaeco sobre o alcance da rede comercial da editora.

Os trabalhos do Ministério Público continuam com a análise dos materiais recolhidos nos 43 mandados de busca e apreensão para determinar se novos agentes participaram das fraudes

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