Ciência Avança em MS: novo teste com IA detecta dengue, chikungunya e febre amarela em 1 minuto

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CAMPO GRANDE (MS) – Uma pesquisa liderada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul promete revolucionar o combate às arboviroses no Brasil. Cientistas locais desenvolveram um método de triagem molecular que identifica, em apenas um minuto, se um paciente está infectado por dengue, chikungunya ou febre amarela. O avanço técnico surge em um momento crucial para a saúde pública do estado, que enfrenta forte alta epidemiológica de casos, sobretudo em municípios como Dourados.

O grande diferencial do estudo é a redução de custos, que pode ser até 100 vezes menor comparado aos exames tradicionais de biologia molecular (como o RT-PCR).

Como funciona a tecnologia?

Coordenada pelo professor Cicero Cena, do instituto de física a pesquisa aposta na simplicidade e na inovação tecnológica:

  • Sem reagentes químicos: O método dispensa insumos caros e complexos preparos laboratoriais.
  • Espectroscopia infravermelha: O exame analisa a interação da luz infravermelha com a amostra biológica.
  • Inteligência Artificial: Um algoritmo de IA processa os dados da luz instantaneamente para identificar o padrão de cada vírus.
  • Equipamento acessível: O dispositivo utilizado custa cerca de R$ 10 mil e tem vida útil de até 10 mil horas, facilitando o uso na atenção básica.

Força multidisciplinar nos bastidores

O sucesso do trabalho depende diretamente de uma equipe multidisciplinar, que reúne especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Além de Cicero Cena, o grupo conta com a atuação das mestrandas Marissa Prado, da área de Biotecnologia, além de Yessamin Costa e Paloma Oliveira, ambas da área de Ciência dos Materiais.

De acordo com Paloma Oliveira, que possui formação em engenharia física, a física desempenha um papel central tanto na análise dos dados coletados quanto na própria aplicação prática da espectroscopia.

A integração entre os diferentes campos do saber é apontada como o principal motor do projeto. A física Yessamin Costa reforça como essa troca diária qualifica a pesquisa: “O que não sei da parte biológica, outros colegas ajudam, e vice-versa. Isso fortalece o resultado”.

O desafio do diagnóstico diferencial

Na prática, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti compartilham sintomas idênticos nas fases iniciais, como febre, dor no corpo e exantemas. Segundo os pesquisadores, a nova ferramenta soluciona o efeito tentativa e erro nos hospitais, agilizando a tomada de decisão médica e otimizando o isolamento ou tratamento correto dos pacientes.

Próximos passos e validação

O projeto foi financiado por órgãos de fomento federais, como o Ministério da Saúde, CAPES e CNPq, contando ainda com a cooperação internacional da Universidade de Reims, na França, além do Instituto Evandro Chagas e da Fiocruz.

Embora os dados laboratoriais apresentem excelentes índices de assertividade, a tecnologia ainda passa por validação em cenários reais. Os testes práticos avançam junto a laboratórios oficiais, como o Lacen/MS (Laboratório Central de Mato Grosso do Sul), etapa obrigatória para que o modelo receba aprovação regulatória e possa ser, futuramente, integrado em larga escala ao Sistema Único de Saúde (SUS).

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