O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrou na manhã desta terça-feira (7) a Operação Gutenberg, que investiga um esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro com prejuízos superiores a R$ 27 milhões aos cofres públicos.
Entre os alvos da operação está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos, atualmente assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).
Conforme as investigações, a organização criminosa contava com a participação de servidores públicos ligados ao Complexo Regulador Estadual (Core), órgão responsável pela gestão do fluxo de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público, o grupo condicionava a liberação de exames especializados, procedimentos cirúrgicos e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros comercializados por empresas ligadas aos investigados. O material didático seria utilizado como mecanismo para dar aparência de legalidade aos pagamentos realizados com recursos públicos.
De acordo com o Gaeco, os valores obtidos de forma ilícita ultrapassam R$ 27 milhões. O dinheiro era movimentado por meio de uma rede de pessoas físicas e jurídicas, incluindo empresas de fachada, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos antes de serem destinados aos integrantes do esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam mais de R$ 70 mil em espécie, incluindo dólares americanos. Também foram recolhidos documentos, computadores e aparelhos celulares que serão submetidos à perícia. Uma mulher foi detida em um condomínio residencial na região do Bairro São Francisco, em Campo Grande.
O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, inventor da prensa de tipos móveis no século XV. Segundo o Ministério Público, a escolha simboliza a utilização indevida de livros pela organização criminosa, que teria transformado materiais destinados à educação em instrumentos para lavagem de dinheiro e obtenção de vantagens ilícitas.
A Operação Gutenberg segue em andamento com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar. As investigações apuram os crimes de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva e lavagem de capitais.