A designer de sobrancelhas Bruna Paola Martins de Freitas, de 33 anos, foi presa pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico no Bairro Moreninha IV, em Campo Grande. Ela é o único alvo em Mato Grosso do Sul da Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra a estrutura financeira da facção criminosa Comando Vermelho.
Investigações apontam que a suspeita teve suas contas bancárias bloqueadas por determinação judicial na quinta-feira, 28. Ao notar a restrição financeira, Bruna desfez-se de seu aparelho celular habitual. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva nesta sexta-feira, 29, os agentes apreenderam um telefone novo com a investigada, enquanto o dispositivo antigo permanece desaparecido.
A defesa técnica de Bruna Paola contesta a ordem de prisão e a associação de seu nome à estrutura organizacional da facção fluminense. O advogado Rodrigo Martins declarou que a acusação baseia-se em um episódio isolado ocorrido no ano de 2022, sustentando que a medida judicial carece de nexo causal e de contemporaneidade com os fatos apurados.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário, e o novo aparelho telefônico recolhido na residência da designer foi encaminhado para perícia técnica a fim de subsidiar a continuidade das investigações sobre lavagem de dinheiro.
A designer de sobrancelhas Bruna Paola Martins de Freitas, presa em Campo Grande pela Operação Contenção, é viúva de Elias da Silva Maldonado, apontado como líder de um bando que roubou R$ 180 mil em joias no Bairro Recanto dos Rouxinóis em 2014. Elias foi executado com disparos na cabeça em julho de 2024, em frente à residência do casal e na presença da esposa.
As investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontam que o Comando Vermelho estruturou uma engrenagem financeira corporativa para ocultar recursos. O esquema combinava o tráfico de drogas, o roubo de cabos de cobre e a utilização de empresas de fachada, movimentando R$ 453 milhões em um período de 16 meses, com ramificações em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Maranhão.
A defesa de Bruna Paola reforçou a contestação sobre o envolvimento dela na organização criminosa. O advogado Rodrigo Martins classificou a acusação como sem nexo e esclareceu que o indiciamento baseia-se exclusivamente em uma transação bancária realizada em 2022 com um investigado do núcleo fluminense. Segundo a banca defensiva, não há registros de diálogos ou vínculos diretos, e o valor transacionado decorre da atuação da cliente na compra e venda de veículos e motocicletas na Capital.
O aparelho celular novo apreendido com a investigada no Bairro Moreninha IV passará por análise pericial para que as autoridades verifiquem a procedência das movimentações comerciais citadas.