De favorito a incógnita: Pollon perde força dentro do PL

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O deputado federal Marcos Pollon atravessa um momento de instabilidade política dentro do Partido Liberal em Mato Grosso do Sul, em meio a disputas internas, desgaste recente e incertezas sobre seu futuro eleitoral.

A crise teve início após o senador Flávio Bolsonaro deixar vazar uma anotação que indicaria que Pollon teria solicitado R$ 15 milhões para não disputar uma candidatura. Diante da repercussão negativa, Flávio recuou e afirmou que o conteúdo havia sido interpretado de forma equivocada, alegando que se tratava, na verdade, de uma narrativa atribuída a terceiros.

Pouco depois, Pollon ganhou fôlego político com a divulgação de uma carta assinada por Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente o indicava como seu nome preferido para disputar o Senado por Mato Grosso do Sul. O gesto, no entanto, teve efeito limitado. Em seguida, o ex-governador Reinaldo Azambuja se reuniu com Valdemar da Costa Neto e o próprio Flávio Bolsonaro, alinhando que a definição da candidatura não seguiria a indicação direta de Jair Bolsonaro, mas sim critérios como pesquisas eleitorais.

Nos bastidores, cresce a possibilidade de Pollon perder espaço dentro do partido caso as principais lideranças consigam demover Jair Bolsonaro de apoiá-lo. Esse cenário pode impactar não apenas sua pretensão ao Senado, mas também sua própria tentativa de reeleição à Câmara dos Deputados.

Um dos fatores que ampliam a tensão interna envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher. Ela defende a candidatura de Naiane Bitencourt, esposa de Pollon, à Câmara Federal em Mato Grosso do Sul.

A pré-candidatura de Naiane já foi anunciada publicamente por Michelle em evento partidário, com a presença do próprio Pollon, que, à época, ainda se colocava como possível candidato ao governo estadual. Sem espaço para disputar o Executivo e impedido de mudar de partido após o fim da janela partidária, o deputado viu suas alternativas políticas se reduzirem.

A proximidade entre Michelle Bolsonaro e Naiane é apontada como um dos elementos centrais desse rearranjo político. Há relatos de que a ex-primeira-dama teria atuado para que Jair Bolsonaro divulgasse a carta de apoio a Pollon, justamente no momento em que o deputado enfrentava desgaste com a polêmica dos R$ 15 milhões.

Apesar disso, dentro do PL, a leitura predominante é de que o gesto teve caráter mais estratégico do que definitivo — uma tentativa de conter os danos políticos naquele momento, sem necessariamente consolidar a candidatura ao Senado.

Caso Pollon seja efetivamente preterido na disputa majoritária, ainda terá que lidar com a reorganização interna do partido, que pode priorizar outros nomes e candidaturas. Rumores recentes sobre um possível desgaste na relação entre ele e Naiane também ampliaram as especulações, embora tenham sido oficialmente negados pela assessoria.

Diante desse contexto, o parlamentar enfrenta um cenário político complexo, marcado por disputas internas, apoio instável e redução de espaço dentro da própria legenda, fatores que tendem a dificultar sua estratégia eleitoral em Mato Grosso do Sul.

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