A corrida por uma vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul começa a ganhar contornos de disputa interna no campo da direita, com múltiplos nomes colocados na mesa e sinais de que a definição está longe de um consenso.
Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Marcos Pollon reafirmou que segue firme na pré-candidatura e descartou qualquer possibilidade de recuo.
“Voltar atrás nem para pegar impulso”, declarou, ao comentar a movimentação recente dentro do grupo bolsonarista.
A fala ocorre após o senador Flávio Bolsonaro sinalizar apoio ao ex-governador Reinaldo Azambuja como um dos nomes ao Senado, deixando a segunda vaga condicionada ao desempenho em pesquisas eleitorais internas.
O cenário evidencia um verdadeiro “xadrez político” dentro da direita sul-mato-grossense, que hoje reúne diferentes pré-candidatos com pretensões semelhantes e capital político relevante.
Durante participação na abertura da Expogrande, em Campo Grande, Flávio Bolsonaro reforçou que a palavra final sobre os nomes ao Senado será do próprio pai, Jair Bolsonaro — o que mantém o grupo em compasso de espera.
Nos bastidores, a declaração é vista como um freio em articulações isoladas e, ao mesmo tempo, como um fator de tensão entre aliados que já se movimentam em pré-campanha.
Pollon esteve recentemente nos Estados Unidos, onde participou de agenda ao lado de Flávio e do deputado federal Eduardo Bolsonaro. A viagem teria servido para reforçar o alinhamento político e consolidar o apoio do núcleo mais próximo do ex-presidente.
Além disso, Bolsonaro chegou a formalizar apoio ao parlamentar sul-mato-grossense ainda em março, por meio de carta divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, reiterando confiança no nome de Pollon para a disputa.
Apesar do apoio declarado, o crescimento do número de interessados na disputa ao Senado dentro do mesmo campo político pode dificultar a construção de uma candidatura única — estratégia considerada fundamental em eleições majoritárias.
Com Azambuja consolidado como um dos nomes e Pollon mantendo a pré-candidatura, a indefinição sobre a segunda vaga amplia o cenário de incerteza.
A disputa pelo Senado em Mato Grosso do Sul tende a ser uma das mais competitivas do próximo pleito, e a fragmentação da direita pode abrir espaço para rearranjos políticos nos próximos meses.
Enquanto isso, aliados aguardam a decisão final de Bolsonaro — que, mais uma vez, se coloca como peça central na definição dos rumos do grupo no Estado.