A Prefeitura Municipal de Corumbá manifestou repúdio às declarações do deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB) sobre a pesca esportiva no Pantanal. A crítica ocorre após falas do parlamentar que colocaram em dúvida a contribuição de pescadores de outros estados para a economia local.
Segundo a administração municipal, a declaração ignora o papel estratégico da pesca esportiva no desenvolvimento sustentável da região. A atividade, destaca a prefeitura, impulsiona o turismo, movimenta o comércio, gera empregos e fortalece bares, restaurantes e toda a cadeia econômica ligada ao setor.
A polêmica teve origem em fala feita por Dagoberto durante reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no dia 19 de março, preparatória para a Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP 15), realizada em Campo Grande entre os dias 23 e 29.
Na ocasião, o deputado afirmou que pescadores vindos de estados como São Paulo e Minas Gerais não contribuem economicamente e ainda deixam impactos negativos.
“O grande problema que nós temos são os pescadores que chegam naqueles ônibus enormes, fazem comida ali mesmo, não ocupam hotéis e vão embora deixando sujeira, quando não colocam fogo em tudo”, disse.
A reunião foi gravada e o vídeo rapidamente circulou nas redes sociais, provocando reações indignadas de entidades públicas e representantes do setor turístico.
Em nota oficial publicada nesta segunda-feira (23), a prefeitura rebateu as declarações e destacou avanços históricos na regulamentação da atividade pesqueira. O município lembrou que, desde as décadas de 1980 e 1990, houve uma evolução significativa no controle da pesca, com redução de cotas, com fiscalização e incentivo ao modelo sustentável.
Medidas como a Lei da Piracema e a proibição da pesca do dourado — implementada em Corumbá em 2012 e ampliada para todo o Estado em 2019 — foram apontadas como fundamentais para a recuperação de espécies e consolidação do sistema de “pesque e solte”.
Hoje, segundo a gestão municipal, a pesca esportiva é um dos principais pilares do turismo sustentável no Pantanal, resultado de um esforço conjunto entre poder público, setor privado e comunidades locais.
A Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo também reagiu com firmeza e cobrou retratação pública do parlamentar. Para a entidade, as declarações geram desinformação e prejudicam diretamente trabalhadores e empresas que dependem da atividade.
Já a Fundação de Turismo do Pantanal reforçou a relevância da pesca esportiva para o Estado. De acordo com o diretor-presidente, Zelinho de Carvalho, toda a cadeia produtiva atua como aliada na conservação ambiental.
Corumbá é hoje um dos principais destinos do país para a prática, recebendo mais de 30 mil pescadores por ano. Os visitantes utilizam estruturas como pousadas, pesqueiros e barcos-hotéis — embarcações adaptadas para grupos que buscam experiência completa de pesca no bioma.
Além disso, o município possui a maior frota fluvial especializada na atividade e registra crescimento na presença de famílias e grupos femininos.
A pesca esportiva, baseada no princípio do “pesque e solte”, é uma prática recreativa sem fins comerciais. A atividade proíbe a venda do pescado e promove a conexão com o meio ambiente, sendo considerada uma ferramenta importante de preservação e desenvolvimento sustentável no Pantanal.