O vereador e presidente do diretório municipal do PSB em Campo Grande, Carlos Augusto Borges, o Carlão, confirmou que a aguardada reunião da cúpula do partido em Brasília deve ocorrer ainda na primeira quinzena de março. O encontro definirá os rumos da sigla em Mato Grosso do Sul, especialmente diante da iminente janela partidária e da reconfiguração das lideranças estaduais.
De acordo com Carlão, a filiação da senadora Soraya Thronicke ao PSB é dada como certa pelas lideranças locais. Diferente do que se especulava nos bastidores, a senadora não teria condicionado sua entrada à presidência do diretório estadual. “A vinda da senadora está consolidada, mas ela não reivindica o comando da sigla. Vamos alinhar os detalhes com a presidência nacional antes do fechamento do prazo da janela”, explicou o vereador.
A movimentação política marca o reposicionamento de Soraya, que foi eleita na base bolsonarista, mas rompeu com o ex-presidente e tem estreitado laços com o governo Lula. Recentemente, a senadora participou de agendas articuladas pelo deputado federal Vander Loubet (PT-MS) e mantém diálogo direto com a cúpula do governo federal. Embora sua assessoria adote um tom cauteloso, afirmando que “não há decisão tomada”, o PSB de Mato Grosso do Sul já trabalha com a parlamentar em seus quadros.
A chegada de Soraya Thronicke, no entanto, aprofunda um impasse interno sobre o apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PSDB). Enquanto lideranças regionais, como o deputado estadual Paulo Duarte e o próprio Carlão, desejam caminhar com Riedel, a diretriz nacional do PSB — partido do vice-presidente Geraldo Alckmin — pode impor restrições a alianças com partidos de centro-direita. Esse conflito de interesses é o principal motivo que deve levar Paulo Duarte a deixar a legenda nos próximos dias. Carlão, por sua vez, sinaliza que seguirá as orientações da nacional, mas defende que a vinda de Soraya fortalece a chapa pessebista para o pleito de 2026.