O auditório da Santa Casa de Campo Grande foi palco de um clima tenso na manhã desta segunda-feira. Entre gritos de indignação de funcionários que cobravam o pagamento do 13º salário, a presidente da instituição, Alir Terra Lima, admitiu que o hospital enfrenta um grave desequilíbrio econômico-financeiro. Com uma dívida acumulada de R$ 100 milhões e um déficit mensal que chega a R$ 12 milhões, a unidade de saúde entrou em colapso de atendimento após a deflagração da greve da enfermagem e de outros setores administrativos e médicos.
Durante coletiva de imprensa, a administração da Santa Casa atribuiu a crise à defasagem nos repasses contratuais da Prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado, alegando que o valor recebido é insuficiente para a demanda atendida. Sobre o pagamento do abono natalino, a presidência explicou que depende da liberação de um empréstimo bancário que está em negociação há dois meses. Uma proposta de parcelamento do 13º em três vezes, com vencimentos entre janeiro e março de 2026, foi apresentada, mas prontamente rejeitada pelos trabalhadores em assembleia.
A paralisação da categoria, liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul, reduziu o efetivo nas alas do hospital para apenas 30%. O presidente do sindicato, Lázaro Santana, reforçou que a classe não aceita o cronograma proposto pela gestão. Enquanto os enfermeiros protestavam pelas ruas do centro da capital, a diretoria do hospital informou a criação de um comitê de crise para gerenciar estoques e priorizar casos de urgência e emergência, que seguem com atendimento mantido.
O cenário crítico é acompanhado de perto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que já ajuizou uma ação civil pública classificando a situação como colapso institucional. O órgão pontua que, além das dívidas trabalhistas, a Santa Casa sofre com superlotação, falta de insumos básicos e paralisação de serviços de alta complexidade. A administração do hospital agora recorre ao Judiciário e busca diálogo com a Procuradoria-Geral de Justiça para tentar forçar um reajuste nos contratos públicos e garantir a sobrevivência da unidade.
