A Prefeitura de Campo Grande reduziu o horário de funcionamento de parques, praças esportivas e centros de lazer administrados pela Funesp (Fundação Municipal de Esportes). A mudança ocorre justamente às vésperas do verão, período em que muitas famílias passam a frequentar ainda mais esses espaços após o horário de trabalho para atividades físicas e lazer das crianças.
A medida foi oficializada por meio de portaria publicada em edição extra do Diogrande na última sexta-feira (7) e integra o pacote de contenção de despesas adotado pelo Executivo municipal.
Parques e praças com horários reduzidos
Parques bastante frequentados da Capital tiveram o expediente encurtado. O Parque Sóter, o Elias Gadia e o Parque Jaques da Luz, que funcionavam das 5h às 22h, agora abrem às 6h e fecham entre 20h30 e 21h, inclusive aos fins de semana.
Alteração
O Parque Ayrton Senna passou a operar das 6h às 20h30. Já o Parque Tarsila do Amaral, que também fechava às 22h, agora funciona diariamente das 6h às 20h30. A Praça Belmar Fidalgo segue com um dos horários mais amplos: 6h às 21h.
Outros espaços públicos também sofreram alterações:
• Guanandizão: segunda a sexta das 6h às 21h; fins de semana das 6h às 20h30
• Centro Olímpico Vila Nasser: todos os dias das 6h às 20h30
• CEFAT: segunda a sexta das 7h às 18h; fechado aos fins de semana
• CEMTE: segunda a sábado das 6h às 21h; domingos das 7h às 12h
• Praça Jockey Clube e Estádio Estrela do Sul: segunda a sábado das 6h às 20h30; domingos das 7h às 12h
A redução do horário de funcionamento dos parques e centros esportivos de Campo Grande ocorre em um momento particularmente sensível. Com a proximidade do verão, cresce a demanda das famílias por espaços públicos para atividades físicas, lazer e convivência, especialmente no período da noite, quando a população consegue frequentar esses locais após a jornada de trabalho.
Ao encurtar o expediente justamente agora, a Prefeitura acaba impondo uma limitação que afeta diretamente a rotina de quem depende desses ambientes gratuitos para cuidar da saúde, levar as crianças para brincar e usufruir de ambientes seguros e iluminados.
A decisão, motivada pelo pacote de contenção de despesas, revela um dilema frequente na administração pública: equilibrar as contas sem comprometer serviços essenciais. No entanto, ao escolher reduzir o funcionamento de áreas de lazer que cumprem importante função social, a gestão acaba transmitindo a mensagem de que a população deve arcar com as consequências do ajuste fiscal.
A medida também pode ampliar desigualdades. Famílias que não têm acesso a clubes privados, academias ou áreas de lazer alternativas serão as mais prejudicadas, perdendo parte do pouco tempo disponível para atividades ao ar livre. Além disso, limitar o horário de parques e praças pode levar a uma maior concentração de pessoas nos períodos ainda permitidos, reduzindo o conforto e, em alguns casos, até a segurança dos usuários.
Nesse contexto, a portaria publicada pela Prefeitura chega com um caráter contraditório: ao mesmo tempo em que busca economia, restringe o acesso da população a políticas públicas essenciais para saúde, bem-estar e qualidade de vida — justamente num período em que esses serviços são mais necessários.