Jantar de Nelsinho e Reinaldo deixa cheirinho de aliança para o Senado

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Quem esteve no jantar oferecido pelo senador Nelson Trad Filho (PSD) na noite de quarta-feira saiu com a impressão de que o prato principal não era o cordeiro assado, mas sim a costura política que promete temperar a disputa pelo Senado em 2026. O evento reuniu prefeitos, vice-prefeitos e aliados, e foi recheado de elogios mútuos entre Nelsinho e Reinaldo Azambuja (PL), que, para muitos, serviram de confirmação informal: o ex-prefeito de Campo Grande seria o nome “ungido” pelo ex-governador para compor a chapa majoritária.

Progressistas fora do banquete e dentro da disputa: Gerson Claro quer vaga ao Senado

Entre as sobremesas e os brindes, o comentário mais ouvido era: “Combinaram com a senadora Tereza Cristina?”. Afinal, o Progressistas, que não mandou nenhum representante ao jantar, insiste que a segunda vaga ao Senado deveria ser da sigla. O deputado Gerson Claro, presidente da Assembleia e entusiasta da ideia, já vem afinando o discurso para garantir espaço — mesmo sem o aval da maior liderança do PP, Tereza Cristina.

Enquanto isso, o governador Eduardo Riedel (PP) ficou de fora do evento, oficialmente por estar cuidando da mãe, que sofreu uma queda. Ausência justificada, mas politicamente notada.

Operação “Fake Cloud” leva nuvem de corrupção a Itaporã

Operação “Fake Cloud” leva nuvem de corrupção a ItaporãNa seara judicial, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) amanheceu em Itaporã com a “Operação Fake Cloud”, que investiga um esquema de fraudes em licitações de serviços de backup em nuvem. Três prisões preventivas e seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Itaporã, Campo Grande e Corumbá. O alvo é uma suposta organização criminosa que, desde 2022, estaria operando um “nuvem de corrupção” no Executivo municipal.

MP questiona “espírito natalino” em Ribas do Rio Pardo

Enquanto isso, o procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, resolveu encarnar o “espírito natalino” — mas ao contrário. Ele ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra o auxílio de R$ 250 pago como cesta básica de Natal aos servidores de Ribas do Rio Pardo, criado em 2023. Segundo o MPE, o benefício é uma “benesse ilegítima” e fere a moralidade administrativa. Ou seja, Papai Noel pode até chegar, mas o Ministério Público quer garantir que ele não venha bancado com dinheiro público.

Riedel arruma o time e secretários já preparam o salto eleitoral

No governo estadual, o clima é de arrumação. O secretário da Casa Civil, Pedro Caravina Rocha, deve deixar o cargo até o fim do mês para cuidar da própria campanha rumo à Assembleia. No lugar dele, entra Walter Carneiro, atual adjunto, que herdará a missão de manter o jogo de cintura com os deputados. Também devem deixar as pastas o secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, e o de Meio Ambiente, Jaime Verruck, ambos de olho em vagas no Legislativo.

Riedel tenta manter a base afinada, mas boa parte dela ainda não decidiu sequer em qual partido vai se abrigar. O calendário eleitoral se aproxima e, como dizem nos corredores do Parque dos Poderes, “tem secretário que já está com o pé mais no palanque do que no gabinete”.

Unanimidade rara: bancada de MS diz “amém” à bancada evangélica
Em Brasília, a bancada sul-mato-grossense mostrou rara unanimidade ao apoiar a criação da bancada evangélica formal. Dos oito deputados federais do Estado, todos votaram a favor — de Camila Jara (PT) a Marcos Pollon (PL), passando por PSDBs e Progressistas. Parece que, pelo menos neste tema, ninguém quis contrariar o “amém” político.

Transporte coletivo em Campo Grande segue parado no mesmo ponto

Por fim, em Campo Grande, a novela do transporte coletivo continua sem final feliz. Um mês após o relatório de 800 páginas da CPI do Transporte, que prometia soluções e projetos para o setor, a cidade segue refém da disputa entre a Prefeitura e o Consórcio Guaicurus. Os ônibus continuam lotados, os pontos sem abrigo, e o passageiro com a mesma sensação de sempre: de que, na briga entre gigantes, é o povo quem paga a passagem — e ainda em parcelas de paciência.

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