Se tem uma coisa que não falta na política sul-mato-grossense é movimento — e, convenhamos, um bom toque de ironia natural. Enquanto uns se preparam para deixar cargos estratégicos, outros disputam espaço em legendas, alianças e até vagas em tribunais. O tabuleiro está montado, e cada peça se move com cuidado para não ser derrubada antes do jogo acabar.
Na Casa Civil, Eduardo Rocha já ensaia o adeus. O secretário deve deixar o cargo até quinta-feira (23) e, antes mesmo de fechar a porta, faz questão de deixar um recado: o substituto ideal precisa “conhecer o interior e a política do Estado”. Traduzindo: alguém que saiba lidar com prefeitos, vereadores e, claro, com o xadrez das articulações. Rocha, que sonha com uma vaga na Assembleia Legislativa pelo MDB, diz que a definição está nas mãos de Riedel. E, em tom de bom soldado, avisa: “Se ele mandar eu ficar até o outro mês, eu fico”.
Enquanto isso, no PT, o clima é de reestruturação e um tanto de nostalgia. Com Vander Loubet decidido a tentar o Senado após seis mandatos e Camila Jara mantendo o bastião na Câmara, o partido quer reforçar o elenco com velhos conhecidos. Fábio Trad já voltou, mas o problema é que o partido sonha em vê-lo disputando o governo — sonho que ele parece não compartilhar com tanto entusiasmo. Para equilibrar o jogo, surgem os nomes de João Grandão e Antônio Carlos Biffi, além do empresário Carlos Bernardo, de Ponta Porã, recém-convidado a trocar o PDT pela estrela vermelha.
Nos bastidores, o Republicanos virou o novo “queridinho” das negociações. A sigla quer virar protagonista em 2026 e, para isso, anda conversando com todo mundo — inclusive com quem não deveria, segundo o grupo governista. O convite ao ex-deputado Capitão Contar, por exemplo, acendeu o alerta entre Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel. Do outro lado, Beto Pereira e Dagoberto Nogueira — ainda tucanos — também flertam com o partido, desde que ele não vire abrigo para Contar. Em resumo: todos querem o mesmo teto, mas ninguém quer dividir o quarto.
Reinaldo, como sempre, tenta manter o controle do bloco. E, mesmo com irmãos em lados opostos, garante que Nelsinho Trad continua no jogo como possível segundo candidato ao Senado. “Isso só existe na cabeça de vocês”, disparou o ex-governador, sobre a suposta dificuldade em apoiar Nelsinho. A frase, típica de quem domina o tabuleiro, soa como um “manda quem pode, obedece quem tem mandato”.
Enquanto o jogo político pega fogo, o Tribunal de Contas do Estado reacende outra disputa: a das vagas. O ministro Francisco Falcão, do STJ, desmembrou a ação contra conselheiros, reacendendo a esperança de quem sonha com uma cadeira vitalícia e um bom contracheque. Waldir Neves, alvo de investigações, ainda não é réu, mas já é protagonista de muita especulação. Caso ele decida se aposentar, o MDB e o PSDB prometem um duelo de bastidores digno de novela.
E, claro, Sérgio de Paula desponta como favorito para a vaga aberta pela aposentadoria de Jerson Domingos. Para a eventual segunda, o cardápio de interessados é variado: Márcio Fernandes, Paulo Corrêa, Mochi e Lídio Lopes — todos com apetite de sobra.
No fim, a política sul-mato-grossense continua fiel à sua melhor tradição: cada semana traz um novo capítulo, cheio de reviravoltas, promessas e arranjos improváveis. A diferença é que, aqui, a coerência costuma ser o primeiro partido a mudar de sigla.