Parece que o baile da “direita unida” vai começar antes do Carnaval. Os pré-candidatos à segunda vaga da chapa de Reinaldo Azambuja (PL) ao Senado têm até fevereiro de 2026 para provar que são os mais “viáveis” — palavra bonita para dizer quem consegue aparecer melhor nas pesquisas e nas fotos de bastidor.
No páreo estão Gerson Claro (PP), Dr. Luiz Ovando (PP), Gianni Nogueira (PL) e Capitão Contar (PRTB). Este último, porém, vai precisar trocar de legenda se quiser subir no mesmo palanque que Reinaldo. Afinal, o PL e o PP andam de mãos dadas — e, nesse tipo de casamento político, não tem lugar pra padrinho de outro partido.
Gerson Claro, aliás, parece ser o mais aplicado da turma: não perde um evento ao lado do governador Eduardo Riedel, está em todas as inaugurações e, segundo aliados, está “construindo pontes”. A julgar pela quantidade de sorrisos em fotos oficiais, as pontes parecem bem asfaltadas.
Enquanto isso, em Brasília, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) resolveu fazer o que mais gosta: tretar na internet. Desta vez, sobrou pra senadora Tereza Cristina (PP-MS), que ousou listar os “viáveis” da direita para 2026 e esqueceu de citar o nome dele. Eduardo não deixou barato e fez textão dizendo que Tereza só pensa nos próprios interesses — e nos “grandes capitais”, claro. Ironia das ironias: quem diria que o filho de Jair Bolsonaro acusaria alguém de representar “grandes capitais”?
Tereza, por sua vez, anda mais diplomática. Depois de anos de críticas ao governo federal, elogiou o reatamento das relações com Donald Trump, chamando o gesto de “avanço”. Parece que até o mais ferrenho opositor tem um ponto fraco — especialmente quando o assunto é o velho aliado americano.
Enquanto uns se desentendem por likes, outros estão em plena crise de identidade partidária. O PSDB de Mato Grosso do Sul vive um daqueles dias de novela mexicana: todo mundo quer sair, mas ninguém quer apagar a luz. Dos seis deputados estaduais, quatro já arrumaram as malas — três rumo ao PL e um para o PP.
Pedro Caravina e Lia Nogueira dizem que ficam, mas com uma condição: querem o controle do partido no Estado. Caravina até avisou que, se não tiver o comando, também cai fora. Ou seja, o ninho tucano está mais para voo solo.
Enquanto isso, Beto Pereira flerta com o Republicanos, Dagoberto Nogueira conversa com o PP, e só Geraldo Resende ainda tenta segurar o tucanato, mesmo que as asas estejam cada vez mais curtas.
No meio desse vaivém, Gerson Claro emplaca outro feito: aprovou na Assembleia projeto que destina o dinheiro das multas de trânsito para custear o CNH MS Social. Segundo ele, “é o passaporte para a dignidade”. A julgar pelo ritmo das multas, dignidade é o que não vai faltar — pelo menos nos cofres do programa.
No fim das contas, 2026 promete ser um espetáculo: uns tentando provar que têm visibilidade, outros tentando achar o partido certo, e alguns apenas tentando não cair no esquecimento. Porque, como se sabe, em política, o primeiro a rir raramente é o último a ser lembrado.