Os bastidores políticos de Mato Grosso do Sul andam mais movimentados do que fila de posto de saúde em dia de calor
Se tem algo que não falta em Mato Grosso do Sul é movimentação nos bastidores. E desta vez, o tabuleiro político está mais embaralhado do que nunca — com alianças improváveis, desentendimentos públicos e decisões que só o presidente da República parece capaz de tomar.
Comecemos pelo PL, onde o novo diretório estadual parece mais uma reconfiguração de poder do que um simples organograma. Reinaldo Azambuja, ex-governador e agora presidente do partido no Estado, voltou à cena política com força total — e já foi chegando organizando a casa. O detalhe é que dois nomes de peso ficaram de fora: os deputados Marcos Pollon e João Henrique Catan.
Coincidência? Dificilmente. Reinaldo até tentou uma aproximação, mas, como diria o próprio Catan em um vídeo nada sutil, “água e vinho não se misturam”. Pollon, por sua vez, preferiu responder lançando — de forma bem estratégica — sua pré-candidatura ao Governo do Estado. A movimentação soou quase como um recado: se o jogo é político, ele não pretende assistir da arquibancada.
Enquanto isso, o novo diretório ficou recheado de nomes próximos a Reinaldo: Tenente Portela (1º vice), Rodolfo Nogueira (2º vice), Coronel David (secretário-geral), Rodrigo Sacuno (tesoureiro) e Thalles Tomazelli, da Assomasul, como secretário. Um grupo que, ao que tudo indica, está alinhado com o projeto de fortalecer o partido para 2026 — e com uma condição clara: apoio total a Eduardo Riedel.
Do outro lado, Simone Tebet segue firme em seu estilo: discreta, pragmática e paciente. Dizem que ela até gostaria de disputar por Mato Grosso do Sul, mas a decisão final — como ela mesma já admitiu — será de Lula. E quem conhece o presidente sabe: ele pensa estrategicamente. São Paulo, com seus 34,6 milhões de eleitores, é um colosso comparado aos 1,9 milhão de Mato Grosso do Sul. E, em política, números pesam mais que afeto.
Nos bastidores do Planalto, há quem diga que Simone pode ser vice de Lula, caso Alckmin resolva disputar o governo paulista. A ministra está bem nas pesquisas e tem perfil que agrada o eleitorado mais moderado. Em resumo: enquanto uns brigam por diretório, Simone espera a hora certa — e o sinal verde de Lula.
Falando em desvio de rota, moradores de Costa Rica estão indignados com o uso indevido de um micro-ônibus doado para transporte de pacientes com câncer. O veículo, que deveria ser sinônimo de dignidade, acabou virando “pau pra toda obra” — literalmente. Segundo as denúncias, o ônibus é usado até para levar time de futebol, enquanto pacientes enfrentam nove horas de viagem em uma van desconfortável.
O prefeito e o secretário de Saúde negam irregularidades, mas o povo anda sem paciência. Afinal, é difícil justificar que um bem destinado ao tratamento de pessoas em situação tão delicada vire transporte para atividades paralelas. A ironia? O ônibus tem até nome bonito: Gran Micro S3. Só faltou mesmo ser Gran Micro Coração.
Em Bonito e Terenos, o buraco é mais embaixo — e de concreto. O casal de empreiteiros Genilton da Silva Moreira e Nádia Mendonça Lopes, alvos da Operação Águas Turvas, continua no centro do noticiário. Eles são acusados de fraudar licitações e contratos milionários. As empresas deles, que no papel são microempresas, conseguiram faturar mais de R$ 8,7 milhões com prefeituras. Um verdadeiro milagre contábil.
Por fim, em Campo Grande, a saúde pública agoniza sem um comando definitivo. O Comitê Gestor criado pela prefeita Adriane Lopes ainda “realiza estudos” — e o povo, pacientemente, realiza filas. Na audiência pública desta segunda-feira, a nova gestora, Ivoni Nabhan, limitou-se a dizer o óbvio sobre os problemas de leitos e medicamentos.
Ironia das ironias: Ivoni veio direto de Iguatemi, cidade do deputado Lídio Lopes, marido da prefeita. Ou seja, se a Saúde anda mal das pernas, pelo menos o compadrio político continua com saúde de ferro.