As engrenagens políticas começam a girar com mais intensidade em Mato Grosso do Sul. Depois de se assentar de vez no Progressistas (PP), o governador Eduardo Riedel abre hoje e amanhã uma rodada de reuniões com todo o secretariado. O encontro, dizem, vai muito além da pauta administrativa: será o pontapé para alinhar o jogo político que levará até 2026.
Estratégia em campo
No primeiro dia, o discurso oficial é sobre programas de impacto popular e ações em andamento nos 70 municípios do Estado. A intenção é clara: ajustar o cronograma e evitar qualquer “acidente de percurso” que comprometa projetos em execução.
Já amanhã, o clima será outro. A reunião ocorrerá a portas fechadas, sem a presença nem mesmo dos assessores mais próximos. O assunto? Eleições. Riedel deve bater o martelo sobre quem fica, quem sai para disputar mandato e quais remanejamentos serão necessários. O Progressistas, agora casa do governador, também será contemplado com espaços estratégicos no governo — e tudo isso sem causar maiores traumas às demais siglas aliadas.
Mudanças à vista
Nos bastidores, fala-se em mexida importante na Casa Civil. O atual titular, Eduardo Rocha (MDB), figura de peso na administração, estaria entre os nomes cotados para deixar o cargo e disputar mandato de deputado estadual. Se eleito, Rocha poderia se tornar candidato natural à presidência da Assembleia Legislativa em 2027. Ao lado dele, o secretário-adjunto Walter Carneiro Júnior (PP), suplente de deputado federal, também aparece na lista dos que podem deixar o cargo para entrar na corrida eleitoral.
A federação PP-União Brasil
Outro movimento que começa a redesenhar o tabuleiro político é a oficialização da federação entre PP e União Brasil. A nova composição terá papel central na reeleição de Riedel. No comando estadual, a senadora Tereza Cristina (PP) assume a presidência, tendo como vice a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil).
Vale lembrar que a federação tem vigência mínima de quatro anos, mas, como de praxe, cada partido seguirá cuidando de seus interesses internos. Detalhe curioso: Rose, agora vice-presidente da federação, foi adversária direta da prefeita Adriane Lopes na última eleição pela prefeitura de Campo Grande.
As movimentações mostram que Riedel pretende blindar seu governo de ruídos até 2026 e, ao mesmo tempo, dar musculatura ao PP, que agora é a sua trincheira eleitoral. A federação com o União Brasil fortalece a estrutura, mas também traz seus dilemas: Rose Modesto, por exemplo, é vista como liderança independente e pode não aceitar apenas um papel figurativo no tabuleiro.
Já a possível saída de Eduardo Rocha da Casa Civil é uma aposta de risco: se, por um lado, abre espaço para o MDB se reposicionar, por outro, pode mexer no equilíbrio interno da base. O xadrez de Riedel será justamente esse: acomodar aliados sem gerar ressentimentos e preparar o terreno para um projeto de poder que, se não tiver tropeços, pode ir muito além da reeleição.