O Partido dos Trabalhadores (PT) de Mato Grosso do Sul anunciou que deixará a base de sustentação do governador Eduardo Riedel (PSDB) na Assembleia Legislativa. A decisão, que será oficializada em coletiva nesta sexta-feira (8), foi impulsionada pela manifestação do chefe do Executivo em contrariedade às decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A saída do PT deve ter impacto para ambos os lados. Enquanto os petistas perderão o espaço que ocupavam em subsecretarias e na gestão administrativa do governo, Riedel pode enfrentar maiores obstáculos para obter investimentos e créditos do Governo Federal.
A nova postura do PT será de uma “oposição crítica, responsável e programática”. Em um movimento notável, deputados estaduais petistas como Zeca do PT e Gleice Jane já ensaiaram uma aproximação com o deputado João Henrique Catan (PL), adversário ideológico, com a promessa de se unirem em oposição à administração de Riedel.
Para a deputada Gleice Jane, a perda de cargos é “muito pequena” e “natural”. “O tamanho do PT dentro do governo é muito pequeno. O PT não perde tanto nesse processo, não tem muita secretaria”, disse ela. O deputado federal Vander Loubet, eleito presidente estadual da legenda, reforçou que a saída de cargos é “natural e faz parte do processo”.
Loubet destacou, no entanto, que a presença do PT na base aliada foi fundamental para garantir uma ponte com o Governo Federal, resultando em importantes investimentos para o estado, como:
- Mais de 3.600 moradias do programa Minha Casa Minha Vida.
- Cerca de R$ 29 bilhões do Novo PAC, destinados a áreas como infraestrutura, saúde, educação e saneamento básico.
- R$ 2,6 bilhões em financiamento do BNDES para a modernização das rodovias estaduais.
Loubet chegou a classificar a autorização federal para incluir trechos das BR-262 e BR-267 na concessão da Rota da Celulose como “um gesto de pai para filho por parte do presidente Lula em relação ao Riedel”.
O parlamentar garantiu que, apesar do rompimento, o PT continuará trabalhando para o bem do estado. “Nossa saída do governo Riedel não vai implicar – pelo menos da nossa parte – em prejuízo ao Mato Grosso do Sul. Nós vamos seguir trabalhando e articulando recursos, investimentos e ações em favor do estado e dos municípios”, concluiu.