A mulher apontada como responsável pelo sequestro da recém-nascida Ayla Emanuelly, ocorrido no dia 6 de agosto, em Campo Grande, teria planejado o crime com o objetivo de conseguir uma criança para criar como filha e, dessa forma, tentar preservar o próprio casamento. A motivação foi revelada nesta sexta-feira (14) pela delegada Anne Karine Sanches, da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).
Segundo a delegada, a suspeita já tinha outros filhos, mas passou parte da vida deles presa e não teria exercido os cuidados maternos. Ainda assim, teria decidido conseguir outra criança para manter o relacionamento.
“A autora queria ter uma filha para sustentar o casamento dela. Ela tem outros filhos e não cuidou dos outros filhos porque passou boa parte da vida deles presa. Mas queria um filho para manter o casamento”, explicou Anne Karine.
Suspeita conquistou confiança da família
As investigações apontam que a mulher se aproximou da mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos, e de seus familiares antes do sequestro. Aos poucos, ela teria conquistado a confiança da família oferecendo roupas e outros itens para a recém-nascida.
A suspeita também dizia saber fazer fotografias e chegou a combinar um ensaio da bebê. O encontro, porém, acabou não acontecendo porque o dia marcado estava frio.
No dia seguinte, uma nova oportunidade teria sido apresentada à adolescente. Ela receberia R$ 100 para cuidar da suposta filha de seis meses da investigada. Conforme a polícia, entretanto, a criança apresentada como filha era, na verdade, neta da mulher.
Foi durante esse contato que a adolescente e a irmã teriam sido levadas até o imóvel utilizado no crime.
Adolescente foi atraída com promessa de dinheiro
Conforme o relato registrado no boletim de ocorrência, a mãe de Ayla foi atraída até uma residência na região do Bairro Universitário com a promessa de receber dinheiro para cuidar de uma criança.
A investigação também identificou uma casa que teria sido utilizada como ponto de apoio para a execução do crime. Durante os depoimentos, um dos suspeitos teria afirmado à polícia que recebeu R$ 1 mil para permitir que a ação fosse realizada no imóvel da família.
Após a retirada da recém-nascida, os envolvidos teriam abandonado as duas adolescentes em uma região de mata.
Para dificultar a identificação da criança durante a fuga, Ayla teve as roupas trocadas por peças masculinas e foi colocada em um bebê-conforto também destinado a menino. Na sequência, a recém-nascida foi levada para o Paraguai.
Bebê foi encontrada no Paraguai
Durante as diligências, a polícia descobriu que a suspeita estava vivendo em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e passou a monitorar os passos dela.
Com o avanço das investigações e a troca de informações de inteligência entre as forças de segurança brasileiras e paraguaias, policiais chegaram ao imóvel onde a mulher estava com o marido e a bebê.
Ayla foi localizada na madrugada de domingo (9), em uma residência no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero. No local, foram presos os brasileiros Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa.
A localização da criança foi possível após o compartilhamento de informações entre a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e as autoridades paraguaias.
Depois do resgate, Ayla recebeu atendimento médico em Pedro Juan Caballero. Em seguida, foi trazida de volta para Campo Grande, onde permaneceu sob acolhimento e acompanhamento dos órgãos de proteção.
A bebê foi entregue à família nesta quinta-feira (13), após os procedimentos de proteção e segurança necessários.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a participação de todos os envolvidos e a dinâmica completa do sequestro.
Apesar da justificativa apresentada pela investigada, a polícia não descarta a possibilidade de que a alegação de que queria uma filha para preservar o casamento seja uma estratégia para sensibilizar a opinião pública e amenizar a gravidade do crime. A motivação apresentada pela autora ainda é analisada pelos investigadores e deverá ser confrontada com as demais provas reunidas durante a apuração.