Mergulhadores lutam contra invasão de “baceiros” no Rio Paraguai para evitar desabastecimento em Corumbá

0

O avanço descontrolado de macrófitas, plantas aquáticas conhecidas popularmente como “baceiros” e “alfaces-d’água”, gerou uma crise ambiental e econômica simultânea em Mato Grosso do Sul. Impulsionadas pelo desequilíbrio de nutrientes na água e por fatores climáticos sazonais, essas massas de vegetação começaram a bloquear trechos estratégicos de rios e reservatórios. O fenômeno acendeu o alerta em órgãos ambientais e forçou a mobilização de operações de emergência em duas importantes regiões do estado.

Em Corumbá, grandes ilhas de baceiros flutuantes desceram o Rio Paraguai e obstruíram as telas de captação da Estação de Tratamento de Água local . Para evitar o desabastecimento total da cidade, mergulhadores profissionais precisaram realizar limpezas subaquáticas constantes nas bombas, o que reduziu temporariamente a pressão na distribuição de água nos bairros. Paralelamente, os bloqueios isolaram comunidades ribeirinhas na Baía do Castelo, exigindo a intervenção de equipes federais para liberar a navegação.

Já em Ribas do Rio Pardo, o problema se concentra na Represa do Mimoso, onde um tapete verde de alfaces-d’água já recobre cerca de 25% do espelho d’água. A proliferação desenfreada transformou a paisagem e paralisou o comércio local, resultando em uma queda superior a 80% nas vendas de pousadas e serviços de lazer. Além de impedir o tráfego de barcos e a prática de esportes náuticos, os biólogos alertam para o risco de mortandade de peixes devido à redução drástica de oxigênio na água.

A situação em ambos os municípios evidencia a necessidade urgente de planos integrados de manejo de bacias hidrográficas e de fiscalização das fontes de poluição agrícola e urbana. Enquanto em Corumbá as equipes trabalham no monitoramento do leito do rio para conter novos blocos de vegetação, em Ribas do Rio Pardo as autoridades estudam métodos de remoção mecânica para salvar o turismo local antes que os prejuízos ambientais e financeiros se tornem irreversíveis.

.