Operação Mens Occulta revelou rota usada para envio de toneladas de cocaína de Corumbá ao Triângulo Mineiro e esquema milionário de lavagem de dinheiro.

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A Polícia Federal apontou que uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas utilizava a chamada “Rota do Minério” para transportar grandes carregamentos de cocaína de Corumbá, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, até o Triângulo Mineiro. O esquema foi alvo da Operação Mens Occulta, deflagrada nesta terça-feira (2).

Segundo o delegado Felipe Martins Perez Garcia, da Polícia Federal em Minas Gerais, as investigações tiveram início em 2024 e revelaram uma estrutura criminosa responsável pelo envio de toneladas de droga para a região de Uberlândia.

“A cocaína era trazida de Corumbá para o Triângulo Mineiro. A partir da análise do celular de um motorista envolvido no transporte, conseguimos identificar que a droga seria entregue em Uberlândia e chegamos à liderança local da organização”, explicou o delegado.

Durante a investigação, a PF realizou 11 prisões em flagrante e apreendeu aproximadamente 2,9 toneladas de cocaína ligadas ao grupo criminoso. Conforme a corporação, a quadrilha também é suspeita de movimentar cerca de R$ 70 milhões em recursos de origem ilícita nos últimos cinco anos.

As apurações apontaram ainda a existência de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Federal, integrantes da organização recrutavam pessoas para atuarem como “laranjas”, cedendo CPFs e CNPJs para a criação de empresas de fachada.

“O modus operandi consistia em captar pessoas dispostas a fornecer documentos para abertura de empresas que sequer existiam nos endereços informados, mas movimentavam valores milionários”, detalhou o delegado.

Após a lavagem dos recursos, o dinheiro era direcionado à aquisição de bens de alto padrão, incluindo cavalos de raça, veículos de luxo, imóveis, coberturas e ranchos. Segundo a PF, os patrimônios eram incompatíveis com a renda declarada das pessoas que figuravam como proprietárias.

Mandados em Campo Grande e Corumbá

Coordenada pela Polícia Federal de Minas Gerais, a Operação Mens Occulta cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos estados. Em Mato Grosso do Sul, foram executadas quatro ordens judiciais em Campo Grande e duas em Corumbá.

Na Capital, as equipes estiveram em uma residência e em um estabelecimento comercial localizados no Jardim São Conrado. Diferentemente das imagens de luxo registradas em outros alvos da operação pelo país, os endereços vistoriados em Campo Grande apresentavam uma estrutura mais simples, com ambientes utilizados como depósito de materiais e armazenamento de pneus.

Para auxiliar as buscas, a Polícia Federal utilizou drones equipados com sensores térmicos, tecnologia empregada para identificar possíveis movimentações e esconderijos durante as diligências.

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