Operação Auditus investiga fraude milionária na saúde pública de MS; 83% dos exames pagos em Nioaque teriam sido simulados

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Um esquema de fraude envolvendo serviços médicos contratados pelo poder público é alvo da segunda fase da Operação “Auditus”, deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A investigação aponta para a simulação de consultas, exames e procedimentos que não teriam sido realizados, além do uso de documentos falsificados, direcionamento de contratos e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

Segundo o MPMS, as investigações começaram a partir de suspeitas de irregularidades em licitações realizadas pela Prefeitura de Nioaque para a contratação de uma empresa responsável pela prestação de serviços médicos especializados.

Conforme a apuração, o grupo teria utilizado contratos públicos para registrar atendimentos inexistentes e receber por serviços que nunca chegaram a ser prestados. A fraude teria começado com a simulação de exames auditivos e, posteriormente, sido ampliada para consultas, exames e outros procedimentos médicos.

Como funcionava o esquema

De acordo com o Ministério Público, a estrutura investigada envolvia diferentes etapas para viabilizar o desvio de recursos públicos.

Os processos de contratação teriam sido direcionados para beneficiar determinados prestadores de serviços. Depois, consultas, exames e procedimentos que não teriam sido realizados eram registrados oficialmente como se tivessem ocorrido.

Para sustentar os atendimentos fictícios, documentos falsificados seriam utilizados como comprovação dos serviços. Com a liberação dos pagamentos pela prefeitura, os valores recebidos seriam desviados pelo grupo.

A investigação também aponta para o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos que teriam participação ou conhecimento do esquema.

83% dos exames seriam falsos

Os números levantados pelo MPMS dão dimensão da suspeita de fraude. Segundo o órgão, 83% dos exames e consultas pagos pelo Município de Nioaque entre 2022 e 2025 teriam sido simulados.

No mesmo período, os gastos públicos com os serviços médicos investigados teriam aumentado 1.713%.

A estimativa do Ministério Público é de que o esquema tenha causado prejuízo superior a R$ 4 milhões aos cofres públicos.

Saúde pública como alvo do esquema

O caso chama ainda mais atenção porque envolve justamente uma das áreas mais sensíveis da administração pública: a saúde.

Enquanto pacientes enfrentam filas, aguardam consultas, exames e procedimentos e dependem de uma estrutura pública que frequentemente já opera no limite, recursos que deveriam financiar atendimento à população são, segundo a investigação, transformados em instrumento de enriquecimento ilícito.

A suspeita de que exames e consultas tenham sido registrados sem sequer serem realizados expõe não apenas uma possível fraude contra os cofres públicos, mas também o impacto que esse tipo de esquema pode provocar diretamente na vida de quem depende do Sistema Único de Saúde.

Cada valor desviado representa dinheiro que deixa de financiar consultas reais, exames necessários, medicamentos, equipamentos e atendimento para quem espera pelo serviço público.

A Operação Auditus, portanto, coloca novamente em evidência uma questão que vai muito além da investigação criminal: até que ponto a corrupção consegue avançar quando os mecanismos de fiscalização e controle falham justamente em uma área essencial para a população?

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, dimensionar o prejuízo e esclarecer a participação de agentes públicos e empresas no suposto esquema.

O nome “Auditus” faz referência à palavra latina relacionada à audição, em alusão à origem das suspeitas envolvendo a simulação de exames auditivos.

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