Um mês após receber R$ 7 milhões do Governo de Mato Grosso do Sul por meio do Programa Prodesenvolve, a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) realizou um evento empresarial em um resort de luxo em Bonito, levantando questionamentos sobre a destinação dos recursos públicos.
O valor foi repassado por meio de convênio firmado com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), então comandada por Jaime Verruck, atual pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos.
Batizado de “MS Summit Bonito”, o evento reuniu empresários, lideranças políticas e autoridades nacionais. Entre os convidados estava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Segundo levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o magistrado costuma cobrar cerca de R$ 50 mil por hora para palestras e participações em eventos privados.
O encontro também contou com a presença do diplomata Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, além de uma reunião da diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O que chama atenção é que o evento foi realizado poucas semanas após a liberação dos recursos estaduais e teve a participação de Jaime Verruck, que articulou o convênio enquanto era secretário da Semadesc e que anteriormente ocupou cargo de diretor corporativo na própria Fiems.
A reportagem buscou esclarecimentos junto à Federação das Indústrias sobre quanto do recurso público foi utilizado na realização do encontro, incluindo despesas com estrutura, hospedagem, palestrantes e organização do evento. Até o momento, não houve resposta.
Em nota, a Semadesc informou que a aplicação dos recursos segue as regras previstas no convênio e que a prestação de contas é realizada conforme exigências dos órgãos de controle.
Segundo a secretaria, os recursos têm como finalidade promover Mato Grosso do Sul para investidores e estimular a atração de capital privado, contribuindo para a geração de empregos e o fortalecimento da economia estadual.
Apesar da justificativa oficial, permanecem sem esclarecimento público detalhes sobre os gastos realizados, o que levanta questionamentos sobre a transparência na utilização dos recursos repassados por meio do programa financiado com dinheiro dos contribuintes.