Karaokê, selfies e cocaína batizada com fermento: PF expõe farra de delegado e investigadores com grandes chefes do tráfico em MS

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Imagens de abraços calorosos, cantorias em aparelhos de karaokê e até visitas noturnas de traficantes à sede da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), no Jardim Itatiaia, em Campo Grande. O cenário, que deveria ser de combate implacável ao crime, transformou-se no palco de uma vergonhosa e revoltante promiscuidade entre quem deveria aplicar a lei e quem a comercializa. Um relatório avassalador da Polícia Federal detalhou a profunda intimidade entre o delegado Hoffman D’ávila Candido e Sousa e os principais líderes de uma das maiores organizações criminosas de tráfico de drogas da região.

A gravidade dos fatos causa profunda indignação. Conforme a apuração da PF, Hoffman, preso desde setembro no âmbito da Operação Infiltrados, ocupava um papel central na blindagem operacional do grupo comandado por Adel Hassan Haidar. Mais do que vazar investigações sigilosas e facilitar a devolução de veículos apreendidos, o delegado é acusado de lucrar R$ 15 milhões com a venda de aproximadamente duas toneladas de cocaína. Para maximizar os lucros do crime, a droga desviada do próprio depósito da Denar era misturada com farinha e fermento antes de ser revendida por valores que oscilavam entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil o quilo.

A audácia dos criminosos e a conivência dos agentes públicos corrompidos desafiaram o próprio Estado. Em dezembro de 2025, Adule Vasques Haidar e Vitor da Silva, operadores da facção, registraram selfies em plena noite dentro da Denar, apontando ironicamente para a placa do “Arquivo de Investigação”. Em outros registros, o delegado Hoffman aparece em Ponta Porã cantando karaokê com Adel, testando a pontaria com armas longas e se despedindo com abraços afetuosos. O relatório aponta que o delegado participava ativamente de reuniões da cúpula da facção para alinhar represálias contra desafetos, recebendo propina em contas de laranjas.

A teia de corrupção envolveu outros nomes que mancharam o distintivo, incluindo o delegado adjunto da Derf, Guilherme Scucuglia Cezar, e os policiais civis Rogério da Rocha Ferreira, Rodrigo Carpes da Silva, Anderson Mirandola, Cassiano Rodrigues Teixeira, Eumer Cordeiro Barbosa, Oseias Medeiros da Silva, Gustavo dos Santos Sayao e João Marcos Garcia.

Diante de tamanho escândalo, é fundamental ressaltar que esses indivíduos representam uma minoria barulhenta e criminosa que não reflete o caráter da maioria esmagadora dos policiais de Mato Grosso do Sul. A vasta maioria dos agentes arrisca a própria vida diariamente nas ruas com honestidade, honradez e respeito à farda. Longe de enfraquecer a polícia, o corte na própria carne promovido por esta investigação demonstra a força das instituições. A purgação desses maus elementos, por meio de uma punição exemplar e rigorosa da Justiça, é o único caminho para fortalecer as forças de segurança, resgatar a moralidade institucional e garantir que o cidadão de bem volte a confiar plenamente na polícia de seu estado.

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