Colapso no Paraguai trava o comércio e acende sinal de alerta em Mato Grosso do Sul

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O terremoto político e financeiro que devastou o governo do Paraguai transpôs as fronteiras e já cobra o seu preço em Mato Grosso do Sul. A renúncia forçada do presidente Santiago Peña e o colapso do Ueno Bank paralisaram os principais motores do comércio de importados na linha internacional. Em polos como Ponta Porã e Mundo Novo, o clima é de extrema apreensão: o congelamento de contas de 60% da população adulta paraguaia provocou um apagão de liquidez imediato, secando o fluxo de capitais e ameaçando o sustento de milhares de trabalhadores que dependem do turismo de compras.

O impacto nas avenidas que dividem os dois países é visível e brutal. O Ueno Bank, gigante digital que ruiu sob denúncias de fraudes e conivência estatal, operava a imensa maioria das transações eletrônicas e dos pagamentos de grandes redes varejistas na fronteira. Com o aplicativo fora do ar e cartões bloqueados, o comércio de Pedro Juan Caballero e Salto del Guairá simplesmente travou. Sem compradores nas ruas, o reflexo do lado sul-mato-grossense foi instantâneo: hotéis esvaziados, postos de combustíveis sem movimento e o setor de serviços operando no vermelho.

Para além do turismo, o fantasma do calote cambial agora ronda os empresários e produtores de Mato Grosso do Sul. O bloqueio sistêmico de ativos impediu que empresas paraguaias honrassem seus compromissos internacionais. O setor atacadista sul-mato-grossense, responsável por abastecer o país vizinho com grãos, insumos agrícolas e bens de consumo, enfrenta o risco iminente de inadimplência em cascata. Novas exportações foram congeladas, e os contratos vigentes operam sob total incerteza jurídica enquanto o novo governo de Pedro Alliana tenta acionar fundos de emergência.

A queda de Peña escancara como a corrupção institucionalizada destrói economias vizinhas sem pedir licença. Sob a volatilidade criminosa do dólar na fronteira e o medo generalizado da população, o investidor brasileiro pisa no freio. As próprias indústrias nacionais instaladas sob o regime de maquila no Paraguai ligaram o sinal de alerta máximo para a segurança de seu capital de giro. A lição é amarga: a ganância de poucos em Assunção feriu de morte a estabilidade financeira e a paz social de toda a região de fronteira.

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