Justiça mantém prisão de seis investigados por contratos milionários na Santa Casa

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Operação Antidotum apura possível prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões; contrato de R$ 5,4 milhões para digitalização de prontuários está entre os alvos

A Justiça manteve as prisões preventivas de seis investigados na Operação Antidotum, que apura possíveis irregularidades em contratos milionários da Santa Casa de Campo Grande. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na manhã deste sábado (12).

Continuam presos a presidente da instituição, Alir Terra Lima; o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira; o diretor-adjunto de Finanças, Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa; o ex-diretor de Finanças, Rinaldo Hakme Romano; a funcionária Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do setor de prontuários; e o empresário Maurício Benites.

Benites é apontado como proprietário da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., com sede em Goiânia (GO), e também possui ligação com a Exbe Tecnologia e Serviços, empresa na qual se apresenta como CEO.

Os investigados foram presos na sexta-feira (11), durante a operação conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), unidades do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Segundo informações divulgadas sobre a audiência, Rinaldo Hakme Romano chorou durante o procedimento e demonstrou apreensão. Os demais investigados teriam permanecido calmos.

Prejuízo pode superar R$ 4,9 milhões

Até o momento, a investigação estima prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões somente em 2025. O valor total ainda está sendo calculado pelas autoridades.

Uma das principais frentes da Operação Antidotum envolve um contrato para digitalização de prontuários médicos da Santa Casa. O acordo previa o pagamento anual de R$ 1,8 milhão durante três anos, alcançando R$ 5,4 milhões ao final da vigência.

Conforme a investigação, os serviços contratados não teriam sido efetivamente prestados, apesar dos pagamentos. Apenas no primeiro ano do contrato, o suposto desvio teria chegado a R$ 1,4 milhão.

A apuração busca esclarecer como os contratos foram firmados, se houve prestação dos serviços e qual teria sido a participação individual de cada investigado.

Defesa nega envolvimento de funcionária

Monique Gregório de Oliveira coordena o Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same), setor responsável pelos prontuários da Santa Casa. A atuação da funcionária passou a ser investigada em razão de um documento assinado por ela que, segundo a apuração, teria permitido o pagamento relacionado ao serviço de digitalização.

A defesa, representada pelo advogado Leandro Gregório, afirma que Monique é inocente e nega que ela tenha participado de qualquer esquema de desvio de recursos.

“Em nenhum momento, nem o Ministério Público fala que ela recebeu algum valor ou alguma coisa”, declarou o advogado.

Segundo Leandro, a assinatura do documento ocorreu dentro das atribuições profissionais exercidas por Monique e não comprova participação em eventual irregularidade.

“Isso aí foi dentro da atribuição dela. Não tem nada de envolvimento com recebimento de dinheiro ou desvio de valor”, afirmou.

O advogado também informou que nenhum documento da Santa Casa teria sido encontrado durante as buscas realizadas na residência da funcionária. Conforme a defesa, Monique entregou voluntariamente o aparelho celular às autoridades e permanece tranquila enquanto aguarda as medidas que serão adotadas para tentar revogar a prisão.

A manutenção das prisões preventivas não representa condenação. Todos os investigados têm direito à presunção de inocência, e as responsabilidades individuais ainda serão apuradas no decorrer da investigação e de eventual processo judicial.

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