A sinalização de apoio do deputado federal Vander Lobet (PT) à senadora bolsonarista Tereza Cristina (PP) para a Presidência do Senado em 2027 virou o assunto principal da política sul-mato-grossense. A estratégia de tentar dialogar com o lado oposto acendeu o alerta de “vale-tudo” eleitoral e desagradou tanto aliados de esquerda quanto adversários de direita.
Para analistas locais, o aceno de Lobet busca atrair o voto do eleitorado ligado ao agronegócio e ao conservadorismo, forte força política no estado. Porém, a jogada uniu extremos na cobrança por coerência ideológica.
Reações imediatas: Contar e Luiza Ribeiro criticam movimento
A postura do parlamentar petista gerou forte repercussão:
- Capitão Contar (PL): O candidato ao Senado classificou a tática como um erro grave. Para ele, o eleitor de direita em Mato Grosso do Sul rejeita qualquer proximidade com o governo Lula. “Quem apoia Lula jamais terá voto da direita, fale o que quiser”, afirmou, pontuando que o PT está há anos longe do comando das prefeituras e do governo estadual.
- Luiza Ribeiro (PT): A vereadora e colega de partido de Vander divergiu publicamente. Ela rechaçou os nomes de Tereza Cristina e Davi Alcolumbre, defendendo nomes progressistas e de centro-esquerda como Marina Silva e Simone Tebet para liderar a Casa. Luiza criticou a prioridade dada a “interesses de milionários e do agro”.
Risco de isolamento nas urnas
A avaliação de bastidores é que a aproximação pode virar um “tiro pela culatra”. Ao buscar o eleitor conservador, Vander Lobet arrisca perder o entusiasmo de sua base militante mais fiel sem a garantia de que conquistará os votos do eleitorado de direita. Resta saber se o eleitorado vai perdoar o pragmatismo ou punir o que muitos já chamam de incoerência partidária.