A Operação Suffragium, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (19), trouxe novos elementos que podem fortalecer as ações que pedem a cassação do mandato da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e da vice-prefeita Camilla Nascimento. Embora a chefe do Executivo municipal não tenha sido alvo dos mandados de busca e apreensão, a investigação a aponta como líder do núcleo político de uma suposta organização voltada à compra de votos durante as eleições de 2024.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema era dividido em diferentes núcleos de atuação. No relatório da investigação, Adriane aparece como responsável pelo núcleo político, enquanto assessores ligados diretamente à prefeita e à vice-prefeita teriam participado da movimentação de recursos destinados à captação ilícita de sufrágio por meio de transferências via Pix.
As apurações indicam que a servidora Simone Bastos Vieira, alvo de busca e apreensão em Taquarussu, desempenhava papel estratégico na engrenagem financeira do esquema. Segundo os investigadores, ela recebia valores, realizava o fracionamento dos recursos e promovia a distribuição a eleitores, numa tentativa de evitar movimentações bancárias expressivas que pudessem despertar suspeitas dos órgãos de controle.
A Polícia Federal também identificou movimentações consideradas atípicas, como saques em dinheiro, transferências fracionadas por Pix e a utilização de contas de terceiros para circulação de recursos em datas próximas aos dois turnos das eleições municipais. Para os investigadores, os indícios apontam para uma possível estrutura organizada de compra de votos.
O avanço das investigações ganha relevância porque pode reforçar os argumentos já apresentados pelo Ministério Público Eleitoral nas ações que questionam a legitimidade da eleição de 2024. Em manifestações anteriores, o órgão sustentou que seria improvável que a prefeita e a vice desconhecessem as supostas irregularidades, uma vez que os investigados integravam o círculo mais próximo da campanha e ocupavam cargos de confiança.
O Ministério Público Eleitoral recorreu da absolvição da chapa Adriane-Camilla em todas as instâncias judiciais e acompanha os desdobramentos da investigação da Polícia Federal, cujas conclusões poderão ter impacto direto nos processos que discutem a permanência da prefeita e da vice no comando da Capital.
As investigações seguem sob sigilo e os nomes de todos os envolvidos ainda não foram oficialmente divulgados pela Polícia Federal.