O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, alegou legítima defesa após atirar e matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde desta terça-feira (24). O crime ocorreu em uma residência no Jardim dos Estados que pertenceu ao político, mas que havia sido leiloada e arrematada pela vítima em 2025 por R$ 2,4 milhões.
De acordo com o depoimento de um chaveiro de 69 anos que testemunhou a ação, Roberto o contratou para abrir o imóvel. Enquanto trabalhavam na entrada principal, Bernal teria chegado armado pelo portão social, proferindo ofensas. A testemunha relatou que a vítima não teve tempo de reagir ou explicar sua presença antes de ser atingida por disparos no abdômen e nas costas. O chaveiro afirmou ainda que foi obrigado pelo ex-prefeito a se deitar de bruços sob ameaça, conseguindo fugir do local momentos depois para pedir ajuda.
A defesa de Alcides Bernal, representada pelos advogados Oswaldo Meza e Wilton Edgar Acosta, sustenta que o cliente agiu para se proteger. Segundo a versão dos defensores, Bernal foi alertado por uma empresa de segurança sobre uma suposta invasão e, ao chegar ao local, teria encontrado indivíduos tentando arrombar a porta sem mandado judicial. O ex-prefeito alega que sua intenção era atingir o invasor abaixo da linha da cintura para conter a ameaça, e que ele próprio acionou o socorro após o ocorrido.
O depoimento de uma testemunha ocular contradiz diretamente a versão de legítima defesa apresentada pelo ex-prefeito Alcides Bernal. Segundo o relato prestado à polícia, Bernal teria chegado ao imóvel já efetuando os disparos, sem que houvesse qualquer tipo de discussão prévia ou tentativa de agressão por parte de Roberto Carlos Mazzini.
A testemunha reforçou que Mazzini estava na residência apenas para tratar dos trâmites de posse do imóvel, que havia sido arrematado legalmente em um leilão da Caixa Econômica Federal. O relato aponta que o grupo que acompanhava o fiscal tributário não portava armas e não avançou contra o ex-prefeito em nenhum momento, o que retira o elemento de ameaça imediata alegado pelos advogados de defesa.
O conflito de versões agora centra-se na dinâmica exata da abordagem na garagem da casa. Enquanto a defesa de Bernal afirma que ele teria sido agredido e ameaçado por invasores, o novo depoimento sugere uma ação unilateral e repentina, sem dar qualquer chance de defesa à vítima. O material colhido pelas câmeras de segurança, que mostram Bernal entrando armado no local, será fundamental para que a perícia determine a sequência dos fatos.
O ex-prefeito segue detido e aguarda transferência para o Presídio Militar Estadual, enquanto a polícia civil aprofunda as oitivas para esclarecer se houve premeditação ou se o crime foi resultado direto da disputa judicial pela propriedade.
A defesa do ex-prefeito Alcides Bernal, conduzida pelo advogado Wilton Acosta, sustenta a tese de legítima defesa baseada em um alerta prévio de uma empresa de segurança. Segundo os defensores, Bernal se dirigiu ao imóvel que utiliza como residência e escritório após ser notificado de uma suposta invasão, encontrando pessoas no processo de arrombamento do portão e da porta principal. Acosta afirma que o cliente foi hostilizado no local e que a reação armada teria ocorrido em um momento de forte nervosismo.
O advogado também destacou que Bernal possui porte de arma regular e que se apresentou voluntariamente à autoridade policial logo após o ocorrido. Sobre a notificação extrajudicial de desocupação encontrada no carro da vítima, a defesa argumenta que o documento não possuía força de ordem judicial de despejo e que o prazo para saída voluntária, embora expirado, deveria ser resolvido legalmente, e não por meio de uma abordagem direta.
O caso agora depende da perícia das câmeras de segurança instaladas na residência, que registraram o momento em que Roberto Carlos Mazzini foi atingido por dois disparos na varanda. Equipes de socorro tentaram reanimar a vítima por 25 minutos, sem sucesso. A defesa reforça que Bernal já havia registrado boletins de ocorrência anteriores relatando perseguições e tentativas de invasão ao mesmo imóvel, elementos que serão utilizados para contextualizar a conduta do ex-prefeito.
Devido à sua prerrogativa como advogado, Bernal deve ser encaminhado a uma Sala de Estado Maior, onde permanecerá detido enquanto aguarda a audiência de custódia e o desenrolar do processo judicial.