Corregedoria começa a ouvir vítimas em caso de assédio na Academia da Polícia Civil

0

As alunas que denunciaram o delegado e ex-vereador Wellington de Oliveira, professor da Acadepol (Academia da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), começam a prestar depoimento nesta semana. A apuração é conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil.

Segundo o corregedor, delegado Clever José Fante, as oitivas têm início nesta segunda-feira (23) e devem abranger tanto as denunciantes quanto testemunhas do caso. O delegado é investigado por suspeitas de assédio sexual e moral dentro da instituição.

De acordo com os relatos, as denúncias partiram de alunas de diversas turmas — todas as salas onde o delegado ministrava aulas teriam registrado queixas. Entre os episódios citados, estão perguntas de teor íntimo e comentários considerados ofensivos.

Uma das estudantes relatou que o professor teria feito questionamentos envolvendo permanência em motel. Em outro momento, teria afirmado que algumas alunas teriam perfil para atuar como “prostitutas infiltradas”. Há ainda relatos de perguntas sobre preferências sexuais.

Além das denúncias de cunho sexual, alunos também apontam possíveis práticas de assédio moral. Conforme relatos, o delegado teria desencorajado reclamações, afirmando que eventuais denúncias não teriam efeito por sua posição dentro da instituição.

As denúncias foram levadas à direção da Acadepol, que encaminhou o caso à Corregedoria. Um documento foi elaborado e assinado por representantes de turma, vítimas e testemunhas.

O curso da Polícia Civil teve início no fim de janeiro deste ano, após concurso realizado anteriormente.

Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou procedimento preliminar para apurar os fatos e que as medidas incluem a oitiva dos envolvidos e levantamento de informações junto à Acadepol.

A instituição destacou ainda que o delegado já concluiu a disciplina que ministrava e não está mais atuando nas atividades acadêmicas.

Procurado, Wellington de Oliveira negou as acusações. Ele afirmou que os conteúdos apresentados em sala fazem parte da disciplina e envolvem simulações baseadas em situações reais.

Segundo ele, eventuais falas teriam sido retiradas de contexto. O delegado disse ainda que aguarda a conclusão da investigação e reforçou que nunca houve registros semelhantes ao longo de sua atuação como professor.

A Corregedoria deve continuar ouvindo vítimas e testemunhas nos próximos dias. O caso segue sob investigação, respeitando os trâmites legais e o direito à ampla defesa.

.