A crise no transporte coletivo de Campo Grande ganhou um novo capítulo nesta semana. Após a decretação da intervenção da Prefeitura no Consórcio Guaicurus, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 46 milhões das empresas que integram o grupo responsável pela operação dos ônibus na Capital.
A medida ocorre em meio ao processo de intervenção anunciado pela prefeita Adriane Lopes e amplia a pressão sobre o consórcio, que há anos é alvo de reclamações de usuários devido à frota envelhecida, atrasos, superlotação e problemas na prestação do serviço.
O bloqueio milionário tem como objetivo garantir recursos para eventual cumprimento de obrigações contratuais e proteger o interesse público diante das investigações e dos questionamentos envolvendo a execução do contrato de concessão do transporte coletivo.
A intervenção foi decretada por prazo inicial de até 180 dias e prevê uma ampla análise da situação financeira, operacional e administrativa do Consórcio Guaicurus. Durante esse período, representantes nomeados pelo município passam a acompanhar de perto a gestão das empresas, tendo acesso a documentos, contratos, balanços financeiros e demais informações consideradas estratégicas para a prestação do serviço.
Segundo a Prefeitura, a medida busca identificar possíveis irregularidades, verificar o cumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão e elaborar um diagnóstico detalhado sobre a real situação do sistema de transporte coletivo de Campo Grande.
Apesar da intervenção e do bloqueio judicial, a operação dos ônibus continua normalmente. A administração municipal afirma que não haverá interrupção dos serviços e que o objetivo principal é garantir o atendimento à população enquanto são realizadas as auditorias e análises técnicas.
O bloqueio de R$ 46 milhões representa uma das medidas mais severas já adotadas contra o Consórcio Guaicurus desde o início da concessão, firmada em 2012. O caso reforça o momento de forte tensão entre o poder público e as empresas responsáveis pelo transporte urbano da Capital.
Nos próximos meses, o resultado das auditorias e da intervenção poderá definir o futuro da concessão, incluindo possíveis sanções, exigências de investimentos, revisão contratual ou até mesmo medidas mais drásticas relacionadas à continuidade da operação do sistema.